O mercado de transferências segue agitado nos bastidores da Gávea. Enquanto a diretoria busca nomes pontuais para fortalecer o elenco de 2026, a porta de saída também está aberta. O Flamengo e o River Plate avançaram significativamente nas tratativas envolvendo o lateral-esquerdo Matías Viña.
Segundo apuração recente, as conversas que se iniciaram ainda no final de 2025 ganharam corpo na noite desta sexta-feira (2). O acordo está praticamente selado, restando apenas ajustes burocráticos para o anúncio oficial.
Os Detalhes da Negociação
O modelo de negócio desenhado entre brasileiros e argentinos é um empréstimo válido por uma temporada. No entanto, o contrato deve incluir uma cláusula de compra obrigatória, condicionada ao cumprimento de metas esportivas preestabelecidas. Ou seja, se Viña atingir determinado número de jogos ou performance, o River terá que adquiri-lo em definitivo.
Para o jogador de 28 anos, a mudança é vista com bons olhos. Com apenas 10 partidas disputadas pelo Flamengo em 2025 e sem espaço com a comissão técnica, o uruguaio busca minutagem e protagonismo. O foco do atleta é claro: recuperar o ritmo de jogo para garantir sua convocação para a próxima Copa do Mundo.
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Por: Nilson Eugenio
Embora a saída de Matías Viña pareça fazer sentido financeiramente para aliviar a folha salarial de um reserva pouco utilizado, esportivamente a decisão soa como um tiro no pé do planejamento rubro-negro.
O principal motivo para essa preocupação tem nome e sobrenome: Alex Sandro.
Não se discute a qualidade técnica do atual titular, mas é impossível ignorar o RG e o histórico médico. Alex Sandro caminha para os 34 anos e, nas últimas temporadas, tem convivido com problemas físicos que o tiram de combate por períodos relevantes. Apostar todas as fichas que ele suportará a maratona do calendário brasileiro e sul-americano sem um substituto à altura é, no mínimo, imprudente.
Além da questão física, há o fator contratual. Alex Sandro tem vínculo apenas para este ano. Existe uma chance real de o lateral não renovar ou até mesmo decidir atuar pouco nesta temporada para preservar o corpo.
Ao liberar Viña — um jogador de seleção uruguaia, com 28 anos e auge físico —, o Flamengo se desfaz de uma "sombra" de luxo e cria uma armadilha para si mesmo. Se Alex Sandro sair ao fim de 2026 e Viña já tiver sido negociado em definitivo com o River, o Rubro-Negro voltará à estaca zero. O clube será obrigado a ir ao mercado gastar uma fortuna novamente para encontrar um lateral-esquerdo de alto nível, algo que já tinha em casa e optou por descartar.
Em um ano de calendário cheio, elenco não é luxo, é necessidade. E entregar um ativo desse calibre a um rival direto do continente pode ser um erro que a diretoria lamentará na primeira lesão muscular do titular.