Por: Nilson Eugenio
Estamos nos últimos momentos de 2025. Enquanto a torcida ainda saboreia a ressaca doce de uma temporada histórica com quatro títulos, a Diretoria do Flamengo está com o sinal de alerta estar ligado, ou deveria. A novela da renovação de Filipe Luís deixou de ser apenas uma questão financeira. O Flamengo não pode e não deve se dobrar a qualquer profissional, por mais amado que ele seja.
O Mercado da Bola não Espera
A primeira e mais óbvia consequência dessa indefinição recai sobre a montagem do elenco. Quais jogadores o Flamengo deve contratar? E, talvez mais importante, quais não deve manter?
O futebol moderno não permite amadorismo. Um diretor de futebol não pode ir ao mercado gastar milhões em um ponta veloz se o próximo treinador preferir jogar com meias de aproximação. Não se renova com um zagueiro de área se o futuro comandante exigir uma linha alta e defensores rápidos.
Se Filipe Luís ficar, o projeto é de continuidade, com reforços pontuais para um esquema já consolidado. Se ele sair e o "Plano B" (como Artur Jorge) for acionado, o perfil dos reforços pode muda rdrasticamente. Fazer contratações agora, sem a assinatura do técnico no contrato, pode trazer um velho problema no futebol brasileiro, semelhante à nossa política, o técnico que chega não mantém o trabalho anterior.
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A Questão Tática: Identidades Diferentes
Todo treinador tem seu "DNA". Filipe Luís provou ser um estrategista que gosta da posse, da pressão pós-perda, frase adorada pelos "moderninhos", e de um jogo posicional muito específico. Ele tem seus "soldados" de confiança dentro do elenco.
Por outro lado, se vier um novo nome, qual rumo esse time irá tomar? Artur Jorge, por exemplo, brilhou no Botafogo com um estilo vertical, de transição rápida e intensidade física absurda. O elenco atual do Flamengo, moldado para o jogo de Filipe, tem as peças necessárias para essa mudança brusca de filosofia?
Provavelmente não. Um novo técnico exigirá seus próprios homens de confiança e terá um esquema de jogo preferido que pode tornar obsoletos alguns titulares absolutos de hoje. A indecisão atual impede que essa transição — se necessária — comece a ser desenhada.
Logística e Pré-Temporada: O Tempo é Inimigo
Por fim, há a questão silenciosa, mas vital: a logística. Uma pré-temporada vencedora não se faz em janeiro; ela é planejada em novembro e dezembro.
Onde será a preparação? Qual a intensidade dos treinos nas primeiras semanas? Quais garotos da base subirão para compor o grupo enquanto os titulares voltam de férias? Todas essas são decisões que passam, invariavelmente, pelo crivo da comissão técnica.
Sem um "sim" definitivo de Filipe Luís ou um aperto de mão com um substituto, o Flamengo entra em 2026 no piloto automático, dependendo da inércia de 2025. E no futebol, a inércia é o primeiro passo para a estagnação.
A diretoria impôs um prazo, e ele é necessário. O Flamengo é maior que qualquer treinador, por mais amado e vitorioso que ele seja. A gratidão pelos títulos de 2025 é eterna, mas o planejamento de 2026 precisa começar ontem. Ou o clube define o comandante, ou começará a próxima temporada correndo atrás do prejuízo — e dos rivais que já estão se mexendo.
