Por Nilson Eugenio
Quando José Boto desembarcou no Rio de Janeiro, a recepção da imprensa esportiva beirou o constrangimento. Tratado com pompa e circunstância, ele foi vendido como o "Mago do Scouting", o homem que, na Europa, transformava pedras em diamantes, comprando barato e vendendo caro. A narrativa era clara: "finalmente um profissional europeu para ensinar aos brasileiros como se faz futebol".
Passado o tempo de lua de mel, é hora de fazer a pergunta que incomoda: o que José Boto entregou de fato ao Flamengo que justifique a fama?
O "Scouting" de Cheque em Branco
A fama de Boto foi construída em cima da capacidade de achar talentos desconhecidos. Mas, na Gávea, sua atuação tem sido a de um diretor de futebol comum com um cartão de crédito ilimitado na mão.
Trazer jogadores caros e consagrados não exige um scouting refinado; exige dinheiro. E dinheiro o Flamengo tem por mérito de suas gestões passadas, não por mágica de Boto. Onde está o "jogador desconhecido" que ele garimpou na América do Sul ou na África e que se tornou um craque vestindo o Manto? Até agora, a torcida espera. O único "achado" foi Juninho, que já foi embora sem deixar saudades.
Contratar quem todo mundo já conhece pagando o que todo mundo pede é fácil. Difícil é fazer o que ele prometeu e não cumpriu.
O "Caso Pedro" e a Arrogância do "Pensamento Europeu"
Talvez o ponto mais baixo de sua gestão tenha sido o episódio envolvendo Pedro. A tentativa de tratar o maior artilheiro do país como uma peça descartável, sob a justificativa de um suposto "pensamento europeu" de gestão de elenco, foi um insulto à inteligência do torcedor.
Se "pensamento europeu" significa se desfazer de ídolos produtivos para encaixar em planilhas frias, prefiro ficar com o "pensamento brasileiro". Competência, seriedade e sensibilidade para gerir craques não são exclusividade de quem nasceu no Velho Continente. O argumento "porque lá na Europa é assim" tornou-se a muleta de jornalistas preguiçosos e dirigentes que não entendem a cultura do clube onde trabalham. Pedro entrega gols; Boto, até agora, entrega teorias.
A Aposta Pivetti e o Fracasso no Carioca
Para completar, a escolha da comissão técnica para o início do Carioca tem a digital de Boto. Vinícius Pivetti, bancado como uma escolha "técnica e moderna", comanda um time que, em três rodadas, não venceu ninguém. O time é jovem? Sim. Mas não vencer nenhum jogo no estadual é inaceitável para os padrões do Flamengo.
A "sabonetada" no Campeonato Carioca, tratando-o com desdém, resultou em um time desorganizado e sem alma em campo. Se essa é a "modernidade" que Boto trouxe na bagagem, ela não serve para o Flamengo.
Conclusão
José Boto precisa descer do pedestal e mostrar serviço. O Flamengo não precisa de grife; precisa de competência. Até agora, o "super diretor europeu" tem sido apenas um coadjuvante caro em um filme onde os protagonistas continuam sendo os jogadores que já estavam aqui e o dinheiro que o clube já gerava. Menos "Europa" e mais Flamengo, por favor.
