Por Nilson Eugenio
Hoje é moda vilanizar o Flamengo. Dirigentes rivais correm para os microfones para chorar sobre "fair play financeiro", "abismo econômico" e "monopólio". Tentam se vitimizar, pintando o Rubro-Negro como um bilionário malvadão que compra campeonatos.
O que essa turma da "memória curta" esquece — ou finge esquecer — é que o império de hoje foi construído sobre os escombros de ontem. Ninguém nos deu nada. O Flamengo de 2026 não é obra do acaso; é filho legítimo do sacrifício de uma década atrás.
A Sangria que Ninguém Quis Fazer
Voltemos no tempo, para o início da reconstrução. Enquanto rivais contratavam a peso de ouro, o Flamengo tomava medidas impopulares e dolorosas. Quem lembra do corte na própria carne?
Para sobreviver, dispensamos ídolos e medalhões caros. Vagner Love, Ibson, Alex Silva e até o técnico Dorival Júnior saíram porque a conta não fechava. A ordem era estancar a sangria.
Houve uma janela de transferências histórica — e vergonhosa para a época — em que os clubes cariocas gastaram juntos mais de R$ 140 milhões em reforços, enquanto o Flamengo passou em branco, contando moedas. Parcelamos dívidas de R$ 4 milhões com empresários, pagando "no carnê" para não fechar as portas. Convivemos com o fantasma do rebaixamento e campanhas medíocres, ouvindo piadas de quem hoje chora.
A Farra dos Outros
Enquanto o Flamengo apertava o cinto e tomava "chá de sumiço" nas janelas, o que os outros faziam? Ganhavam títulos às custas de mecenas ou de dívidas impagáveis.
Nesse período de vacas magras na Gávea, dos 9 títulos do Campeonato Brasileiro disputados, 5 ficaram em São Paulo (3 do Corinthians, 2 do Palmeiras). O Cruzeiro levou 2 (e depois quebrou). O Fluminense levou 2, bancado pela torneira aberta da Unimed.
Eles riam da nossa austeridade. Chamavam de "time do cheirinho". Agora que a conta da irresponsabilidade deles chegou e a nossa poupança rendeu juros, querem dividir o nosso bolo?
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O Mito da Copa do Brasil
Falam que o Flamengo "priorizava copas". Mentira. A Copa do Brasil de 2013 foi vencida milagrosamente, na raça, empurrada por uma torcida que entendeu que o time era limitado, mas valente. É a competição mais emocionante do país, sem dúvida, mas depois daquele título improvável, vivemos um jejum doloroso que só foi quebrado em 2022. Não foi fácil. Não foi "comprado". Foi suado.
O "Modo Preguiça" dos Rivais
A verdade incomoda: clubes que não passaram pelo deserto que nós passamos, torcedores que não aguentaram a humilhação que nós aguentamos, agora querem ter a mesma vida mansa que nós conquistamos.
Eles querem o Flamengo forte, mas querem a "igualdade" na marra. Ou seja: querem as coisas na mão, sem correr atrás, sem cortar custos, sem vender jogador para pagar boleto. Querem ativar o "Modo Preguiça" e receber a taça em casa.
A Sabedoria Popular Explica
Para quem acha injusto o Flamengo nadar de braçada hoje, recorro à sabedoria antiga dos nossos avós. Os ditados não falham e explicam perfeitamente o cenário atual do futebol brasileiro:
"Quem planta, colhe"
"Deus ajuda quem cedo madruga"
"Sem esforço não há recompensa"
"O trabalho dignifica o homem"
A recompensa tarda, mas não falha. O Flamengo fez o dever de casa enquanto a turma do fundão fazia bagunça. Agora, a nota da prova chegou. Chorem menos e trabalhem mais.
