"O Baiano é Mau!" - Como Júnior Baiano Uniu Intimidação e Técnica para Virar o Maior Zagueiro-Artilheiro da História

No futebol, a figura do zagueiro geralmente é associada à discrição. A regra é clara: "zagueiro não inventa". Mas de tempos em tempos, surge alguém para rasgar a cartilha. Júnior Baiano foi esse fenômeno.

Raimundo Ferreira Ramos Júnior não se limitava a defender. Ele atacava, fazia gols de falta, cobrava pênalti com frieza de camisa 10, intimidava rivais e dava as entrevistas mais engraçadas do Brasil.

O canto da torcida era claro: "O Baiano é mau, pega um, pega geral!". Mas reduzir Júnior Baiano apenas à fama de "mau" é uma injustiça histórica. Ele foi um dos jogadores mais complexos e técnicos que já vestiram o Manto Sagrado.

Neste artigo, vamos revisitar a trajetória desse monstro que foi do título brasileiro de 92 à titularidade na Copa do Mundo, provando que é possível ser "raíz" e craque ao mesmo tempo.

1. 1992: O Menino que Virou Homem na Final

Para entender o tamanho de Júnior Baiano, precisamos voltar ao início da década de 90. O Flamengo vivia o luto do fim da "Era Zico". O clube apostava numa mistura arriscada: veteranos consagrados e moleques da base.

Foi nesse cenário que ele explodiu. Na histórica campanha do Penta em 1992, ele formou uma dupla de zaga inesquecível com Wilson Gottardo. Enquanto o Maestro Júnior (o Capacete) desfilava no meio-campo aos 38 anos, o jovem Júnior Baiano trazia a imposição física lá atrás.

O Momento da Verdade: Na final contra o Botafogo, ele não se escondeu. Fez um dos gols na vitória por 3 a 0 no primeiro jogo. Aquele gol não foi apenas um lance; foi o cartão de visitas de um zagueiro que tinha faro de atacante.

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2. O Mito da "Força Bruta" vs. A Realidade Técnica

Muitos rivais (e parte da imprensa) gostam de pintar Júnior Baiano apenas como um jogador violento ou desleal. É fato que ele chegava duro — às vezes até demais —, o que lhe rendeu muitos cartões. Mas essa é apenas metade da história.

Júnior Baiano tinha uma técnica absurda para a posição, com recursos que faltam em muitos zagueiros de hoje:

  • Saída de Bola: Ele não dava chutão por medo. Ele saía jogando de cabeça erguida e, muitas vezes, arrancava com a bola dominada até o ataque (o famoso "elemento surpresa").

  • O Canhão no Pé: A potência do seu chute era lendária. Em faltas de longa distância, os goleiros tremiam.

  • Frieza nos Pênaltis: Quantos zagueiros você conhece que eram batedores oficiais de pênalti? Baiano batia com categoria, deslocando o goleiro.

3. A Estatística que Não Mente: 33 Gols

Contra fatos não há argumentos. Júnior Baiano é, até hoje, o zagueiro com mais gols na história do Flamengo. Foram 33 gols em jogos oficiais.

Pense no peso disso. O Flamengo teve zagueiros lendários como Domingos da Guia, Mozer, Rondinelli, Aldair e Juan. Nenhum deles fez tantos gols quanto o Baiano. Ele era uma arma ofensiva real. Ter Júnior Baiano em campo era começar o jogo sabendo que, se o ataque falhasse, a zaga poderia resolver.

4. O Folclore: "Sincerão" e Carismático

A Nação Rubro-Negra amava Júnior Baiano porque ele era o espelho do torcedor em campo. Ele não tinha "media training". Suas entrevistas eram espontâneas, engraçadas e sem filtro.

Sua imagem oscilava entre o vilão e o herói em questão de minutos. Ele podia cometer um erro bizarro na defesa e, cinco minutos depois, marcar o gol da vitória e sair comemorando com sua passada larga característica. Esse "pacote completo" de entretenimento e paixão fez dele um ícone cult.

5. O Retorno do Veterano e o Legado

Júnior Baiano rodou o mundo, jogou na Europa e foi titular da Seleção Brasileira na final da Copa de 98. Mas seu coração sempre foi da Gávea.

Seu retorno em 2004 foi marcado pela liderança. Já veterano, ele voltou para ser o "pai" do vestiário e levantou mais um Campeonato Carioca, provando sua longevidade.

Títulos e Feitos pelo Mengão:

  • 1x Campeonato Brasileiro (1992)

  • 1x Copa do Brasil (1990)

  • 2x Cariocas (1991, 2004)

  • Recordista: Maior Zagueiro-Artilheiro da História (33 gols).

Conclusão

Júnior Baiano provou que o futebol não é feito de robôs perfeitos. Ele errava, batia e falava o que pensava. Mas, acima de tudo, ele jogava muita bola.

Ele representa uma era do futebol "raiz" que deixa saudades. O zagueiro que sabia ser mau quando necessário, mas que tinha talento suficiente para decidir campeonatos com os pés.

E você, qual a sua memória favorita do Júnior Baiano? O gol na final de 92 ou alguma entrevista engraçada? Comente abaixo!

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