A História Lendária de Marquinhos no Flamengo

No esporte coletivo, existem jogadores que marcam época e existem jogadores que são a época. Quando olhamos para a década de ouro do basquetebol do Clube de Regatas do Flamengo (2012-2021), um jogador destaca-se em uma constelação de grandes atletas. Não é apenas pelos títulos, embora sejam incontáveis. Não é apenas pelos pontos, embora ele tenha sido uma máquina de marcar. É pela postura, pela liderança e pela simbiose perfeita com a camisola rubro-negra. Estamos a falar de Marcus Vinícius Vieira de Sousa, o Marquinhos.

A história de Marquinhos no Flamengo é a narrativa de um casamento perfeito. Ele chegou como um craque da Seleção Brasileira e saiu como uma lenda imortal, mais um grande jogador na história do NBB que ajudou a construir a trajetória de vitórias do Malvadão no basquete.



Foram nove temporadas, ele foi a referência técnica, um líder em quadra e um dos escolhidos que a Nação procurava quando na última bola, para o último chute em momentos decisivos. Este artigo é uma homenagem a Marquinhos, o jogador que participou da transformação do Flamengo na maior potência do continente.

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1. A Chegada (2012): O Início da Revolução

Marquinhos desembarcou na Gávea em 2012, vindo do Pinheiros, como a principal contratação para a temporada que visava recuperar a hegemonia nacional. O Flamengo vivia um jejum de três anos sem vencer o NBB, vendo o rival Brasília dominar.

A contratação de Marquinhos foi uma declaração de intenções. O Flamengo não queria apenas competir; queria dominar. E o impacto foi imediato. Sob o comando de José Neto, Marquinhos assumiu o papel de protagonista que o time precisava.

Com 2,07m de altura, ele era um pesadelo para as defesas: alto demais para ser marcado por alas, rápido e habilidoso demais para ser marcado por pivôs. Ele tinha o pacote completo: chute de três, infiltração, jogo de costas para a cesta e uma frieza impressionante nos momentos decisivos.


2. A Era de Ouro: O MVP das Conquistas

Logo na sua primeira temporada (2012-13), Marquinhos liderou o Flamengo ao título do NBB, sendo eleito o MVP da temporada regular. Foi o início de uma dinastia.

O que se seguiu foi um domínio avassalador do Malvadão. Marquinhos foi uma das peças centrais do tetracampeonato consecutivo do NBB (2013 a 2016). Enquanto parceiros como Laprovittola, Meyinsse e Marcelinho brilhavam ao seu lado, Marquinhos era a constante. Ele era o jogador que entregava muitos pontos por noite, apanhava ressaltos e decidia jogos difíceis.

Mas a sua coroa foi forjada nas conquistas internacionais. Em 2014, ele foi fundamental na conquista da Liga das Américas e, posteriormente, no histórico título da Taça Intercontinental (Mundial de Clubes) contra o Maccabi Tel Aviv. Marquinhos não era apenas o melhor do Brasil; ele provou ser um jogador de classe mundial, capaz de encarar de igual para igual os gigantes da Europa.


3. A Longevidade e a Liderança: O Sucessor de Marcelinho

Um dos maiores méritos de Marquinhos no Flamengo foi a transição de liderança. Quando chegou, o ícone máximo era Marcelinho Machado. Com o tempo e a aproximação da reforma do "Capitão", Marquinhos assumiu naturalmente o bastão.

Após a saída de José Neto e a chegada de Gustavo de Conti em 2018, muitos questionaram se Marquinhos, já veterano, conseguiria manter o nível. A resposta foi brutal. Ele reinventou-se, tornando-se ainda mais cerebral e eficiente.

Ele liderou o Flamengo a um novo ciclo de vitórias, conquistando mais títulos do NBB (chegando ao hexacampeonato pessoal pelo clube) e levando a equipe a outra final da Champions League Americas. Mesmo com a idade a avançar, o seu arremesso de média distância ("mid-range") continuava a ser a arma mais letal do basquetebol brasileiro.


4. Os Números de uma Lenda

Falar de Marquinhos é falar de estatísticas que parecem mentira. Ele deixou o Flamengo em 2021 com um currículo que dificilmente será igualado:

  • Títulos: Foram 17 títulos oficiais, incluindo 1 Mundial, 1 Liga das Américas, 1 Champions League Americas, 6 NBBs e 1 Copa Super 8, além de 7 Estaduais.

  • MVPs: Ele foi eleito MVP do NBB por três vezes (2013, 2016 e 2018), um recorde na liga.

  • Ídolo: Ele tornou-se o segundo maior pontuador da história do FlaBasquete, atrás apenas de Marcelinho Machado.


5. O Adeus e o Legado Eterno

A saída de Marquinhos em 2021, rumo ao São Paulo, foi um momento doloroso para a Nação Rubro-Negra. Foi o fim de um ciclo de nove anos. No entanto, o sentimento predominante não foi de mágoa, mas de gratidão profunda.

Marquinhos não foi apenas um jogador que passou pelo clube. Ele definiu uma era. Ele ensinou uma geração de torcedores que o Flamengo entra em campo (ou melhor, em quadra) para vencer tudo. A sua camisola 11 tornou-se um símbolo de excelência, elegância e vitória.

Hoje, quando se olha para o teto do ginásio do Maracanãzinho ou da Jeunesse Arena, é impossível não lembrar dos momentos em que a bola estava nas mãos de Marquinhos nos segundos finais. E o resultado, quase sempre, era o mesmo: cesta, vitória e festa da Nação. Ele será, para sempre, o Rei da Gávea.

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