Por Nilson Eugenio
Ao analisar a movimentação agressiva do Flamengo no mercado, especificamente a oferta astronômica ventilada pelo atacante Kaio Jorge, é preciso olhar além das quatro linhas. Não se trata apenas de contratar um artilheiro; trata-se de um posicionamento geopolítico no futebol brasileiro.
Tenho a convicção de que essa demonstração de força financeira é uma reação calculada do presidente Luiz Eduardo Baptista (BAP) às narrativas construídas recentemente por parte da imprensa paulista. Há um esforço visível em tentar vilanizar o Flamengo, especialmente após os episódios de desacordo na formação da LIBRA.
A Narrativa do "Vilão Rico" vs. a "Paladina da Justiça"
Tenta-se criar uma novela onde Leila Pereira, presidente do Palmeiras, é pintada como a paladina da justiça desportiva, a defensora dos oprimidos, enquanto o Flamengo é caricaturado como o "vilão opressor". A narrativa sugere que o Rubro-Negro usa seu poder econômico de forma desleal para enfraquecer os rivais.
Essa visão é, no mínimo, míope. Ela ignora a origem desse dinheiro. O poderio financeiro que o Flamengo sustenta hoje e que assusta o mercado não caiu do céu, nem veio de mecenato sem fundo.
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O Preço da Soberania: Suor, Choro e Lágrimas
Quem tem memória curta precisa ser lembrado: o Flamengo atravessou um deserto. Passamos por anos de "vacas magras", de times limitados, de brigas contra o rebaixamento e, principalmente, de uma austeridade fiscal severa para sanar dívidas impagáveis.
Houve muito choro, muito suor e muitas lágrimas da torcida e de gestões passadas para colocar a casa em ordem. O que vemos hoje é a colheita desses frutos. O Flamengo não "ganhou" dinheiro; o Flamengo gerou esse dinheiro através de sua própria reestruturação e do engajamento de sua Nação.
O Recado Está Dado
Portanto, o recado implícito nas ações de BAP e na postura do clube no mercado é claro e direto para os críticos de plantão e para os rivais que pararam no tempo: Aceita que dói menos!
Quem deseja enfrentar o poder do Flamengo com dignidade precisa fazer o dever de casa. Precisa se estruturar, pagar suas contas e modernizar sua gestão. Ficar reclamando na imprensa ou tentando pintar o sucesso alheio como vilania não vai mudar a realidade financeira do futebol brasileiro.
O Flamengo atingiu um patamar onde pode se dar ao luxo de sonhar com qualquer jogador. Isso incomoda? Sim. Mas é o resultado da competência de quem soube sofrer para agora poder sorrir — e comprar.
