Por Nilson Eugenio
Existe um fenômeno curioso no jornalismo esportivo brasileiro: a capacidade de apontar o dedo para todos os lados, menos para o próprio espelho. Vivemos uma era onde a crítica é uma via de mão única, disparada de púlpitos televisivos e colunas de jornais por quem parece acreditar que vive no Olimpo da moralidade.
A cartilha da generalização é recitada diariamente:
O Torcedor: É tratado como um ser irracional, movido apenas por paixão cega, incapaz de analisar o jogo taticamente ou financeiramente.
A Arbitragem: Se é brasileira, é lixo, é várzea, é esquema. Se é europeia, é o suprassumo da tecnologia e da justiça (fingem que não veem os escândalos semanais na Premier League ou em La Liga).
Os Dirigentes: São todos rotulados como amadores, incompetentes e emocionados.
Mas e a imprensa? Ah, a imprensa... Segundo ela mesma, é o bastião da ética.
O Mito da Infalibilidade e a Caça ao Clique
A narrativa que nos vendem é que jornalistas são seres de luz, isentos de interesses. Mas a realidade que vemos é bem diferente. A "indústria da crise" é lucrativa.
Quantas vezes vimos manchetes sensacionalistas, "barrigadas" (notícias falsas) sobre contratações que nunca existiram ou crises de vestiário plantadas apenas para gerar engajamento? E quando a notícia não se confirma, você já viu algum programa começar com um "Me desculpe, torcedor, eu errei a informação"?
Jamais. A culpa é sempre da "negociação que esfriou", do "empresário que mudou de ideia" ou do dirigente que "esconde o jogo". O jornalista nunca erra; a realidade é que foi teimosa.
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A Arrogância do "Lá na Europa..."
O complexo de vira-lata é a ferramenta preferida para diminuir o nosso produto. Adoram dizer que o dirigente brasileiro não é profissional, mas esquecem de dizer que o jornalismo esportivo brasileiro parou no tempo, preso a debates de gritaria e polêmicas vazias, enquanto o jornalismo europeu (que eles tanto amam) evoluiu para análises táticas profundas e dados estatísticos.
Eles exigem profissionalismo de quem entra em campo e de quem assina os cheques, mas agem com o amadorismo de quem publica fofoca como se fosse furo de reportagem.
Desçam do Pedestal!
Será que um dia veremos um mea culpa? Dificilmente. Admitir o erro exige humildade, artigo de luxo para quem se acostumou a ser o "dono da verdade".
Enquanto continuarem acusando torcedores de irracionais e dirigentes de incompetentes, sem olhar para a própria "caça aos cliques" e para a falta de rigor na apuração, a imprensa esportiva continuará falando sozinha. Ou melhor, continuará falando para uma bolha que acredita que eles são Deuses.
Nós, os "irracionais" que pagamos a conta desse circo, já percebemos: o rei não só está nu, como está desesperado por audiência.