O "Esporro" Comeu Solto! Bap Enquadra Filipe Luís, Boto e Elenco Antes da Decisão da Recopa

 Por Nilson Eugenio

É isso aí, Bap! Se é preciso, tem que soltar o verbo mesmo.

A vitória por 3 a 0 sobre o Madureira serviu para somar pontos, mas não enganou ninguém. O ambiente no Flamengo virou uma verdadeira panela de pressão e, ciente de que a corda esticou, o presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) resolveu agir pessoalmente antes da decisão da Recopa Sul-Americana, contra o Lanús, nesta quinta-feira.



Cobrança Pesada no Ninho do Urubu

No último sábado, Bap marcou presença no Ninho do Urubu. O clima, que deveria ser de tranquilidade, foi de cobrança forte. O mandatário reuniu a comissão técnica, o diretor de futebol José Boto e o elenco principal.

O recado foi claro e o tom foi duro: o desempenho está muito abaixo do esperado. A diretoria entende que fez sua parte: investiu pesado, trouxe reforços de nível mundial (como Paquetá) e manteve a base do elenco. Em contrapartida, o time perdeu a Supercopa do Brasil para o Corinthians e correu riscos desnecessários no Campeonato Carioca. A conta não está fechando.

Clima Tenso e Falta de Diálogo

Embora Bap costume ir ao CT a cada 10 dias, essa reunião teve um peso diferente. O clima no dia a dia já não é o mesmo. Há relatos de que alguns atletas se sentem incomodados com decisões da comissão técnica e alegam "falta de diálogo". A comunicação com o diretor José Boto também não estaria fluindo como deveria.

Bap, por sua vez, tem centralizado as decisões: participou ativamente da compra de Paquetá e ordenou o fim do "rodízio", exigindo os titulares nos clássicos. Isso gerou desgaste, e Filipe Luís chegou a se sentir exposto. Mas, no Flamengo, quem manda é a performance, e ela não está aparecendo.

"Carência" e Real Madrid: A Fala de Filipe Luís

A tensão ficou evidente até na comemoração dos gols contra o Madureira: discreta, fria, quase protocolar. A torcida, impaciente, cobrou antes mesmo de a bola rolar.

Em coletiva, Filipe Luís tentou explicar o momento e soltou a frase que gera debate:

"Sobre as vaias, a gente entende. Os jogadores precisam de carinho, mas não podemos pedir isso. A gente está carente, digamos, mas por culpa nossa. É difícil fazer as ações nesse ambiente."

O treinador ainda comparou a pressão da Gávea com a da Europa:

"A pressão no Flamengo eu nunca vi em outro lugar, talvez só no Real Madrid. Mas quem vem para cá sabe que é assim. O problema não é o excesso de críticas, mas o excesso de elogios quando as coisas vão bem. Você é colocado em um patamar que não está preparado para cair. A pressão é um privilégio. Temos elenco para brigar por tudo."

O Que Esperar?

A cobrança foi feita. O "esporro" comeu solto. Agora, a resposta precisa ser dada em campo, na quinta-feira, contra o Lanús. Não há mais espaço para "carência" ou desculpas.

O Flamengo investiu para ganhar. E a torcida, com toda razão, quer ver o retorno desse investimento em taças.

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