Poucos jogadores conseguem construir uma carreira que une títulos históricos no Brasil e uma idolatria cultural em outro continente. Alcindo Sartori, revelado nas categorias de base do Flamengo, é um desses casos raros.
Sua história começa no interior do Paraná, em Medianeira, mas foi no Rio de Janeiro que ele ganhou projeção. Chegando à Gávea em meados da década de 80, Alcindo teve o privilégio e a responsabilidade de subir para os profissionais justamente em uma das fases mais vitoriosas do clube.
O Batismo de Fogo ao Lado de Zico
Lançado no time principal em 1986, o atacante integrou o elenco que marcou época. Sua velocidade e oportunismo lhe garantiram espaço no grupo campeão da Copa União de 1987. Embora o ataque titular contasse com nomes consagrados como Bebeto e Renato Gaúcho, Alcindo era uma peça frequente nas escalações, aprendendo diariamente com o maior ídolo da história do clube: Zico.
Essa convivência seria fundamental para o futuro de sua carreira, mas antes disso, Alcindo deixaria uma marca eterna no futebol nacional.
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O Dono do "Gol 01" da Copa do Brasil
Em 1989, a CBF organizou a primeira edição da Copa do Brasil. O torneio, que hoje paga premiações milionárias, teve sua rede balançada pela primeira vez por Alcindo. No dia 19 de julho daquele ano, na vitória do Flamengo por 2 a 0 sobre o Paysandu, foi dele o primeiro gol da história da competição.
No ano seguinte, em 1990, ele voltaria a ser peça importante, ajudando o Rubro-Negro a conquistar o título invicto da Copa do Brasil, consolidando sua passagem vitoriosa pela Gávea.
O Fenômeno no Oriente
Após passagens por São Paulo e Grêmio, o destino de Alcindo mudou em 1993. Convidado por Zico para o projeto de fundação da J-League (a liga profissional japonesa), ele assinou com o Kashima Antlers.
No Japão, a parceria com o Galinho foi reeditada com sucesso absoluto. Alcindo foi fundamental na conquista da primeira etapa da J-League, marcando 50 gols em 71 jogos pelo clube.
Mas foi fora de campo que o brasileiro se tornou um fenômeno. Devido à sua aparência — calvície no topo da cabeça e cabelos longos atrás —, os japoneses o associaram ao "Kappa", uma figura do folclore local. O apelido carinhoso transformou Alcindo em um ícone pop, estrelando comerciais de TV e virando uma das faces mais conhecidas do país na época.
O Legado
Alcindo ainda foi bicampeão japonês pelo Verdy Kawasaki antes de retornar ao Brasil. Encerrou sua carreira de forma simbólica no CFZ (Centro de Futebol Zico), reafirmando a conexão que começou anos antes no Flamengo.
Hoje, sua trajetória é lembrada como a de um pioneiro que ajudou a abrir as portas do mercado asiático para o futebol brasileiro, levando o DNA rubro-negro para o outro lado do mundo.