"Real Madrid das Américas" e a Fórmula da "Coca-Cola Rubro-Negra": Bap Detalha ao Jornal 'AS' o Sucesso do Flamengo

 O Flamengo não quer ser apenas o maior do Brasil; o objetivo é a hegemonia continental e uma marca global. Em entrevista exclusiva ao jornal espanhol "AS", o presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) detalhou os pilares que transformaram o clube em uma potência financeira — superando a barreira de R$ 2 bilhões em receitas em 2025 — e desportiva, com os títulos do Brasileirão e da Libertadores.

Utilizando termos fortes como "Disney", "Ilha no Brasil" e "Real Madrid das Américas", Bap explicou como o Rubro-Negro se descolou da realidade do futebol nacional.



O Conceito "Disney": Lucrar Mesmo sem Ganhar Títulos

Para Bap, o futebol moderno exige que o clube seja uma máquina de entretenimento que não dependa exclusivamente da bola entrar na rede.

"Estamos criando um modelo de gestão em que o crescimento do Flamengo não depende do sucesso esportivo. Se o Flamengo tivesse perdido tudo no ano passado, ainda assim teria aumentado sua receita em 25%. Esse é o conceito de ter um clube como a Disney, onde você vende sonhos, entretenimento e produtos," explicou o mandatário.

Essa "imunidade" às derrotas em campo é o que ele chama de "Coca-Cola Rubro-Negra": uma fórmula de gestão sem segredos, baseada em processos claros e expansão de marca, similar às grandes navegações, mas feita "de avião para a China".

A "Ilha" Financeira e o Fair Play

Com uma receita superior a 320 milhões de euros (mais de R$ 2 bilhões), o Flamengo vive uma realidade paralela. Bap defende a implementação do Fair Play Financeiro no Brasil, argumentando que isso apenas aumentaria a vantagem do clube carioca.

Enquanto rivais gastam até 100% do que arrecadam, o Flamengo gasta apenas cerca de 40%.

"Tenho capacidade financeira para gastar 40% ou 50% a mais do que gasto hoje, e isso não me afetaria. Quando o Fair Play chegar, poderei eventualmente dobrar meus investimentos, pois tenho renda recorrente. O Flamengo é uma ilha no Brasil por ser melhor administrado," disparou.

Lucas Paquetá e a Racionalidade nos Investimentos

O sucesso financeiro permitiu a contratação histórica de Lucas Paquetá por 42 milhões de euros. Bap, no entanto, prega a racionalidade. Ter dinheiro não significa gastar de forma irresponsável.

"Posso contratar mais de um Paquetá? Sim. Vou contratar? Não. Se eu contratar três Paquetás e ganhar tudo, nunca saberei se teria ganhado com um só. Nunca se investe tudo num único negócio. Se der errado, você está arruinado."

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O Sonho do Estádio vs. A Realidade dos Juros

Um dos pontos mais polêmicos abordados foi a construção do estádio próprio. Bap foi pragmático e explicou matematicamente por que o projeto não é prioridade agora, valorizando a concessão do Maracanã pelos próximos 19 anos.

O vilão? A taxa de juros brasileira.

"Se decidirmos construir um estádio de 500 milhões de euros, os juros seriam de 75 milhões de euros por ano. Eu teria que pagar quase dois Lucas Paquetá por ano só de juros. Por que faria isso se tenho o Maracanã rendendo lucro recorde?" questionou o presidente.

A estratégia é clara: enquanto os juros estiverem altos, o dinheiro fica em caixa para reforçar o time (como na compra de Paquetá) e o Maracanã segue sendo a casa do Mais Querido.

A Inspiração no Real Madrid

Bap finalizou a entrevista revelando sua maior inspiração de gestão. O objetivo não é copiar, mas adaptar o sucesso europeu ao trópico.

"Sempre sonhei grande. Sempre pensei em ser o Real Madrid das Américas. Observo o que o Real, City e Bayern fazem. Em cada decisão que tomo, penso: 'Se o Flamengo estivesse na Europa, que decisão eu tomaria?'"


Opinião: Arrogância ou Visão?

Por Nilson Eugenio

As falas de Bap podem soar arrogantes para os rivais, mas para nós, rubro-negros, soam como música. Tratar o Flamengo como uma "Disney" ou "Coca-Cola" não é diminuir a paixão, é garantir que o clube nunca mais volte aos tempos de vacas magras.

A explicação sobre o estádio é um balde de água fria na emoção, mas uma aula de razão. Trocar juros bancários por reforços em campo é a escolha de quem quer ganhar títulos agora, e não apenas cortar uma fita de inauguração. O Flamengo, de fato, tornou-se uma ilha de excelência. Que continue assim.

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