Flamengo 130 Anos: De um Barco a Remo ao Topo do Mundo – A Saga da Maior Paixão do Brasil

 Há exatos 130 anos, em 17 de novembro de 1895, um grupo de jovens sonhadores, os primeiros Flamenguistas, podemos até chamá-los de os "Originais", reunidos no casarão de Nestor de Barros, na Praia do Flamengo, fundava o que viria a ser não apenas um clube, mas uma religião. Eles queriam apenas remar na Baía de Guanabara. Mal sabiam eles que, daquelas águas, nasceria um fogo que consumiria corações de norte a sul do país e viraria uma Nação de mais de 40 milhões de apaixonados, como eu. Hoje, ao celebrarmos Flamengo 130 anos, não estamos apenas olhando para o passado; estamos celebrando a maior manifestação cultural e esportiva do Brasil "O Mengão", "O Malvadão", "O Mais Querido", o Clube de Regatas do Flamengo!

Do remo ao futebol, do amadorismo ao profissionalismo, da lama à glória mundial. A trajetória do Clube de Regatas do Flamengo é a própria história da superação. É a história de um time que nasceu da elite, mas foi abraçado pelo povo, tornando-se o "Mais Querido", o time da massa, das favelas e dos asfaltos, aliás, "Festa na Favela!".

Neste artigo especial de aniversário, revisitamos os pilares que sustentaram nossa gigante, enorme Nação por 13 décadas: a terra, o mar e, acima de tudo, a gente.


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1. A Gênese: O "Regatas" que Virou Sinônimo de Raça

É impossível falar de Flamengo 130 anos sem lembrar que tudo começou no mar. O remo foi o primeiro amor. O DNA de "brigar para vencer, vencer, vencer", de não desistir mesmo quando a maré é contrária, nasceu nos barcos Pira, Scira e, claro, na lendária Aymoré.

Foi no remo que as cores rubro-negras foram definidas (após o breve uso do azul e dourado). Foi no remo que a estrela solitária começou a brilhar. E foi essa tradição náutica que permitiu que o Flamengo mantivesse o nome "Regatas" mesmo quando o futebol se tornou o carro-chefe. Essa dualidade, Terra e Mar, está imortalizada no escudo e na alma do clube.

2. A Encarnação da Glória: A Era Zico e o Mundo em 81

Se os primeiros anos foram de consolidação, a década de 1980 foi a apoteose. Ao completar 130 anos, o Flamengo olha para trás e vê em Arthur Antunes Coimbra, o Zico, o Rei Arthur, a personificação de seus valores.

Aquele time de 1981 não jogava futebol; recitava poesia e eu tive o prazer de ver tudo isso. Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Junior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Esses nomes não estão apenas na história; estão tatuados na pele e na alma de quem viu (e de quem não viu, mas ouviu falar). A conquista da Libertadores e o massacre sobre o Liverpool no Mundial de Tóquio (3 a 0) elevaram o Flamengo a um patamar que poucos clubes alcançaram: o de ser, indiscutivelmente, o melhor time do mundo.

Zico nos ensinou a vencer, essa geração colocou os ingleses na roda. Eles nos deram a régua pela qual medimos todas as gerações seguintes.

3. A Mística da Camisa: "Craque o Flamengo faz em Casa"

Ao longo desses 130 anos, o Flamengo desenvolveu uma mística única: nos momentos de maior crise, a salvação vem da base. O lema "Craque o Flamengo faz em casa" não é apenas marketing; é sobrevivência.

Foi assim com a geração de Zico. Foi assim com Junior Baiano, Marcelinho Carioca e Djalminha. Foi assim nos anos difíceis com Julio César salvando o gol. E foi assim, mais recentemente, com a venda de Vinícius Jr. e Lucas Paquetá, que permitiram a reestruturação financeira que montou os supertimes atuais. A Gávea é um celeiro inesgotável de talentos que nutre o futebol mundial.

4. A Hegemonia Moderna: De 2019 à Eternidade

Chegar aos 130 anos sendo relevante é difícil; chegar sendo dominante é para poucos. A "Nação" que sofreu com a falta de títulos internacionais por décadas viu sua alma lavada em 2019.

Sob a batuta de Jorge Jesus e a letalidade de Gabigol, Bruno Henrique e Arrascaeta, o Flamengo viveu um "ano mágico" que rivalizou com 1981. A virada épica em Lima contra o River Plate não foi apenas um título; foi um exorcismo.

Desde então, o clube empilhou taças: mais uma Libertadores em 2022, Brasileirões, Copas do Brasil. O Flamengo chega ao seu centésimo trigésimo aniversário não vivendo de passado, mas sendo a potência a ser batida no presente.

5. Além do Futebol: Um Gigante Poliesportivo

Celebrar Flamengo 130 anos é também celebrar o "Orgulho da Nação" nas quadras. Como falamos recentemente, o basquete rubro-negro construiu uma dinastia própria, com craques como Oscar Schmidt no passado e a era dourada de Marcelinho Machado, Marquinhos e Varejão, conquistando o Brasil, as Américas e o Mundo.

Na ginástica, no nado, no judô... onde há uma camisa rubro-negra, há a obrigação de vencer. O Flamengo transcendeu o campo de grama para ser uma potência olímpica.

Nossos 130 Anos, nos tornamos uma Nação

Mas, afinal, o que é o Flamengo? O Flamengo não é o prédio na Gávea. Não é o CT Ninho do Urubu. Não é nem mesmo o Maracanã.

O Flamengo é a senhora que reza com o terço na mão diante da TV. É o trabalhador que guarda o dinheiro do ingresso. É a criança que veste o Manto antes mesmo de saber falar. O Flamengo é a sua torcida. São mais de 48 milhões de corações batendo num único ritmo.

Ao completar 130 anos neste 17 de novembro de 2025, o Flamengo reafirma sua condição de fenômeno sociológico. Parabéns, Clube de Regatas do Flamengo. Que venham mais 130 anos de raça, amor e paixão.

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.

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