No basquete, existem os pontuadores, os estrategistas e existem as forças da natureza. Jerome Meyinsse foi a síntese perfeita dessa energia.
Geralmente, jogadores estrangeiros chegam ao Brasil, cumprem contrato e vão embora. Jerome fez o oposto. Ele entendeu o que significa ser rubro-negro. Em um time recheado de lendas como Marcelinho e Marquinhos, "Big Meyinsse" era o coração pulsante, o motor defensivo e o dono das jogadas que faziam o Maracanãzinho tremer.
Neste artigo, relembramos a trajetória desse pivô que chegou como desconhecido e saiu como um dos maiores ídolos da história recente do FlaBasquete, sendo o pilar defensivo da nossa maior glória: o Mundial.
1. A Chegada e a Dupla Perfeita com Laprovittola (2013)
Quando a diretoria montou o elenco para 2013-14, o objetivo era manter a hegemonia. A estratégia foi buscar no mercado sul-americano uma "dobradinha" que entraria para a história.
Trouxeram o cérebro argentino, Nicolás Laprovittola, e a força bruta americana, Jerome Meyinsse. Análise Tática: A química foi instantânea. Laprovittola e Meyinsse executavam o pick-and-roll (bloqueio e corte) mais letal do continente. O argentino pensava, lançava a bola para o alto, e o americano — forte como um touro — completava a ponte-aérea. Aquilo não era apenas eficiente; era um show que desmoralizava as defesas adversárias.
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2. O MVP das Finais (NBB 2014)
O impacto de Jerome foi imediato. Mas a consagração veio na final do NBB 6, contra o Paulistano, em jogo único na HSBC Arena.
A partida foi um teste para cardíacos. As estrelas do time (Marcelinho e Marquinhos) estavam sendo anuladas pela marcação rival. Quem chamou a responsabilidade? O "xerife". Meyinsse foi dominante nos dois lados da quadra. Ele pegou rebotes impossíveis, deu tocos cruciais e anotou 16 pontos. Ele foi o fator de desequilíbrio na vitória apertada por 78 a 73. O prêmio de MVP das Finais foi a coroação justa para quem carregou o piano na decisão.
3. O Xerife do Mundial (2014)
Se o NBB foi a glória nacional, a Copa Intercontinental contra o Maccabi Tel Aviv (campeão da Euroliga) foi a prova de fogo.
Enfrentar pivôs europeus é uma tarefa ingrata: eles são altos, fortes e técnicos. Mas Meyinsse não se intimidou. Naquele jogo histórico, enquanto Laprovittola brilhava no ataque, Meyinsse garantia a defesa. Ele protegeu o aro como se sua vida dependesse disso, fechando espaços e neutralizando o poderoso ataque israelense. A vitória por 90 a 77, que nos deu o título de Campeão Mundial, teve a assinatura do suor de Jerome no garrafão.
4. Mais que um Jogador: Um Carioca de Alma
O que transformou Meyinsse em lenda não foram apenas os tocos, mas o carisma. Jerome amava o Rio de Janeiro. Amava o Flamengo. Amava a nossa cultura.
A torcida percebeu isso. Ele não jogava por dinheiro; jogava por paixão. Cada enterrada vinha acompanhada de um grito primal que incendiava a arquibancada. O apelido "Big Meyinsse" não era apenas sobre seu tamanho físico, mas sobre o tamanho de sua presença. Ele foi um dos raros estrangeiros que realmente vestiram a pele de rubro-negro.
5. O Legado de Títulos
Meyinsse deixou o clube em 2016, no auge, após ajudar a conquistar o Tetracampeonato do NBB. Sua passagem foi curta (três anos), mas seu currículo na Gávea é pesado:
1x Campeão Mundial (Copa Intercontinental 2014)
1x Campeão da Liga das Américas (2014)
3x Campeão do NBB (2013-14, 2014-15, 2015-16)
1x MVP das Finais do NBB (2014)
Conclusão
Jerome Meyinsse provou que não é preciso nascer no Brasil para ter a "raça" que a Nação exige. Ele foi o parceiro ideal, o defensor implacável e o amigo da torcida.
Hoje, quando olhamos para a estrela dourada do basquete em nossa camisa, lembramos que ela brilha também graças ao esforço desse gigante americano.
E para você, qual foi a enterrada mais bonita do Big Meyinsse? Comente abaixo e vamos matar a saudade dessa época de ouro!