Big Meyinsse: A História de Jerome Meyinsse no Flamengo, o Coração da Dinastia

 Existem jogadores técnicos, existem jogadores inteligentes e existem jogadores que são pura energia. Jerome Meyinsse no Flamengo foi a síntese perfeita das três coisas, mas foi sua energia contagiante que o transformou em um dos maiores ídolos da história recente do FlaBasquete. Em um time recheado de maestros e pontuadores natos, "Big Meyinsse" era o coração, o motor defensivo e o protagonista das jogadas que levantavam a torcida.

Sua passagem pela Gávea não foi marcada apenas pelos troféus que empilhou — e foram muitos. Foi marcada por uma conexão visceral com a arquibancada, Jerome era um apaixonado pelo Flamengo, pelo Rio e por nossa maneira de viver, dava para notar o quanto esse americano amava estar aqui. Cada toco, cada ponte-aérea e cada grito de raça faziam dele um verdadeiro rubro-negro em quadra.

Meyinsse chegou em 2013, pouco conhecido, eu mesmo nunca tinha ouvido falar nele, mas ele veio para ser o "xerife" do garrafão do Flamengo, comandado pelo lendário treinador José Neto, o pivô americano, vindo do basquete argentino, superou todas as expectativas e se tornou uma peça fundamental na era mais vitoriosa do clube, incluindo a conquista do mundo.

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1. A Chegada (2013): O Parceiro Ideal para Laprovittola

Quando o Flamengo montou o elenco para a temporada 2013-14, o objetivo era claro: defender o título do NBB e ir além. Para isso, a diretoria fez uma "dobradinha" de sucesso no mercado sul-americano. Junto com o armador argentino Nicolás Laprovittola, que também jogava muito, chegou o pivô americano Jerome Meyinsse.

Os dois formariam uma das duplas mais letais do basquete FIBA. "Lapro" era o cérebro; "Meyinsse" era a força explosiva, a raça, a determinação. A combinação era perfeita para o pick-and-roll. A visão de jogo do argentino encontrava a capacidade atlética descomunal do americano, "forte como um touro", resultando em uma coleção de pontes-aéreas ( alley-oops) que se tornaram a marca registrada daquele time.

Sob o comando de José Neto, Meyinsse se tornou a âncora defensiva que o sistema pedia. Ele era o protetor de aro, o especialista em tocos e o monstro nos rebotes. No ataque, era o finalizador perfeito, com um tempo de salto e uma força que poucos pivôs na liga conseguiam igualar.


2. A Primeira Temporada (2013-14): O Dono da Final

O impacto de Jerome Meyinsse no Flamengo foi imediato. Logo em sua primeira temporada, ele foi protagonista em duas conquistas cruciais. A primeira foi a Liga das Américas, em março de 2014, onde sua presença física foi vital para o Flamengo conquistar o continente pela primeira vez.

Mas foi na final do NBB 6, dois meses depois, que ele se consagrou. A decisão foi em jogo único, na HSBC Arena, contra o jovem e perigoso time do Paulistano. A partida foi tensa, disputada ponto a ponto, um verdadeiro teste para cardíacos.

Em um jogo onde as estrelas ofensivas do time, como Marcelinho e Marquinhos, estavam sendo muito bem marcadas, Meyinsse assumiu a responsabilidade. Ele foi dominante no garrafão, absoluto nos rebotes e imparável no ataque. Com 16 pontos e uma defesa sufocante, ele foi o fator de desequilíbrio na vitória apertada por 78 a 73.

Aquele desempenho lhe rendeu, de forma merecida, o troféu de MVP das Finais. Em seu primeiro ano, "Big Meyinsse" já era campeão da América, campeão do NBB e o melhor jogador da decisão nacional.


3. O Topo do Mundo (2014): O Protetor de Aro contra o Campeão Europeu

Se a final do NBB foi sua consagração nacional, a Copa Intercontinental FIBA em setembro de 2014 foi sua apresentação ao mundo. O adversário era o poderoso Maccabi Tel Aviv, campeão da Euroliga.

Naquele confronto histórico, a genialidade de Laprovittola (MVP do torneio) roubou os holofotes, mas a vitória não teria sido possível sem o trabalho defensivo de Meyinsse. Ele foi o "xerife" encarregado de proteger o garrafão rubro-negro contra pivôs de nível europeu, muito mais altos e pesados.

No jogo decisivo, a vitória por 90 a 77 que deu o título mundial ao Flamengo teve a assinatura de Meyinsse. Sua capacidade de fechar os espaços, contestar arremessos e garantir rebotes defensivos foi o que permitiu ao Flamengo controlar o ritmo do jogo e neutralizar o poderoso ataque israelense. Ele era o pilar daquele que talvez tenha sido o maior feito da história do clube.


4. A Dinastia (2014-2016): O Símbolo da Raça

A história de Jerome Meyinsse no Flamengo continuou vitoriosa após o título mundial. Ele foi peça-chave no tricampeonato consecutivo do NBB (seu segundo título pessoal, em 2014-15) e no tetracampeonato (seu terceiro título pessoal, em 2015-16).

Ao longo de três temporadas, ele se tornou mais do que apenas um jogador; ele virou um ídolo. A torcida do Flamengo se via na intensidade de Meyinsse. Ele não era o jogador mais técnico ou o mais habilidoso, mas era, indiscutivelmente, o que jogava com mais paixão visível.

Cada enterrada era acompanhada de um grito que inflamava o ginásio. Cada toco era uma mensagem para o adversário. Sua química com a torcida era tão forte que ele ganhou o apelido carinhoso de "Big Meyinsse" e se tornou um dos atletas mais queridos do clube, independentemente da modalidade.


5. O Fim do Ciclo e o Legado de um Ídolo

O ciclo de Meyinsse no Flamengo se encerrou ao final da temporada 2015-16, após a conquista do tetracampeonato do NBB. Ele deixou o clube no auge, pena que foi embora, como um dos maiores vencedores de nossa história.

Sua passagem de três anos (2013-2016) foi curta, mas avassaladora em termos de conquistas e impacto.

Principais Títulos de Meyinsse no Flamengo:

  • 1x Copa Intercontinental (Mundial de Clubes) (2014)

  • 1x Liga das Américas (2014)

  • 3x Novo Basquete Brasil (NBB) (2013-14, 2014-15, 2015-16)

  • 1x MVP das Finais do NBB (2014)

  • 3x Campeonato Carioca

Jerome Meyinsse não foi apenas um pivô americano que passou pelo Brasil, que muitas vezes se comportava como brasileiro. Ele foi o coração pulsante da "Era José Neto", o símbolo da raça que a Nação Rubro-Negra tanto exige e o protagonista de momentos inesquecíveis. Ele entendeu o que significava vestir o Manto e, por isso, seu nome está gravado para sempre na história do "Orgulho da Nação".

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