O Maestro Argentino: As Duas Temporadas de Laprovittola no Flamengo que Mudaram a História

 No esporte, existem contratações que preenchem lacunas. E existem contratações que redefinem destinos. A chegada do armador argentino Nicolás Laprovittola ao Flamengo, em 2013, pertence inquestionavelmente à segunda categoria. Eu o vi jogar muitas vezes, vibrei com suas jogadas de qualidade, de sua "frieza", em apenas duas temporadas vestindo o Manto Sagrado, "Nico" não apenas colecionou títulos, mas liderou o time em sua jornada mais gloriosa, saindo do domínio nacional para a conquista inesquecível do planeta.

Para a Nação Rubro-Negra, a "Era Laprovittola" é sinônimo de genialidade, raça argentina e, acima de tudo, vitória. Ele foi o "piso" (o floor general, na gíria do basquete) que faltava a um elenco já estelar, o cérebro que orquestrou a sinfonia mais vitoriosa do "Orgulho da Nação".

Muitos jogadores estrangeiros tiveram grandes passagens pelo basquete brasileiro. No entanto, poucos, ou talvez nenhum, possam reivindicar um impacto tão transformador e global quanto o de Laprovittola no Flamengo. Este artigo detalha a ascensão, o auge e o legado do maestro argentino na Gávea.

Veja também:

Júnior Baiano no Flamengo: O Baiano é mau pega um pega geral

Nossos 10: A História da Inesquecível e Dolorosa Tragédia do Ninho do Urubu

A Passagem Histórica de Anderson Varejão no Flamengo e o Adeus de um Ídolo

Marcelinho Machado, o Capitão da Dinastia: A História do Ídolo que Reconstruiu o Orgulho da Nação


1. A Chegada (2013): A Peça que Faltava ao Campeão

Para entender a importância da chegada de Laprovittola, precisamos revisitar o contexto de 2013. O Flamengo, sob o comando de José Neto, tinha acabado de conquistar o segundo título do NBB (temporada 2012-13). O time era espetacular, com a liderança de Marcelinho Machado, o auge de Marquinhos e a raça de Olivinha, Deus da Raça no FlaBasquete. No entanto, faltava um armador clássico, um "camisa 10" que ditasse o ritmo e fizesse todas aquelas estrelas brilharem em harmonia.

A diretoria rubro-negra, então, fez uma aposta ousada: buscar no rival continental, a Argentina, o jovem Nicolás Laprovittola. Vindo do Lanús, "Nico" era uma das maiores promessas do basquete sul-americano, conhecido por sua visão de jogo privilegiada, controle de bola e um arremesso mortal.

A adaptação foi imediata. Laprovittola parecia ter nascido para jogar no Flamengo. Sua intensidade, sua "raça" e seu estilo de jogo cerebral rapidamente conquistaram a torcida e deram ao time de José Neto uma nova dimensão tática e técnica, era um prazer vê-lo jogar. O Flamengo não era mais apenas um time de estrelas; era um time perfeitamente orquestrado.


2. Temporada 1 (2013-14): Domínio Continental e o Bi do NBB

O impacto de Laprovittola foi sentido instantaneamente, e sua primeira temporada foi uma prévia do que estava por vir. O time não se contentou em apenas defender seu título nacional; ele foi além.

A Conquista da Liga das Américas (LDA)

O primeiro grande feito da "Era Laprovittola" veio em março de 2014. O Flamengo sediou o Final Four da Liga das Américas no Maracanãzinho. Com uma atuação de gala do seu novo armador, que controlou o jogo contra o Pinheiros na grande final, o Flamengo sagrou-se Campeão das Américas pela primeira vez. Laprovittola foi o maestro que garantiu a tranquilidade e a eficiência necessárias para o título continental.

O Terceiro Título do NBB (Bicampeonato)

Apenas dois meses depois, em maio de 2014, o Flamengo estava em outra final: a do NBB 6. Tendo feito a melhor campanha da fase regular, o time decidiu em casa, em jogo único, contra o talentoso Paulistano.

Em uma partida tensa, foi a calma e a visão de jogo de Laprovittola (11 pontos e 6 assistências) que ajudaram a garantir a vitória por 78 a 73. Embora o pivô Jerome Meyinsse tenha sido o MVP daquela final, era nítido que o motor do time passava pelas mãos do argentino. O terceiro título do Flamengo no NBB consolidava a nova dinastia.


3. O Topo do Mundo: MVP da Copa Intercontinental (2014)

A conquista da Liga das Américas deu ao Flamengo o direito de disputar o título mais importante de sua história: a Copa Intercontinental FIBA, o Mundial de Clubes. O adversário, em setembro de 2014, era o gigante europeu Maccabi Tel Aviv, de Israel, o então campeão da Euroliga.

O mundo do basquete via o Flamengo como um azarão completo. O Maccabi era uma potência com orçamento e estrelas de nível NBA. O que se viu na Arena da Barra, no entanto, foi um recital de basquete orquestrado por Nicolás Laprovittola.

No formato de dois jogos, o Flamengo perdeu o primeiro por 69 a 66. Precisava vencer o segundo por quatro pontos de diferença para ser campeão.

No Jogo 2, em 28 de setembro de 2014, Laprovittola teve a maior atuação de sua carreira pelo clube. Ele foi simplesmente imparável. Com uma confiança absurda, ele ditou o ritmo, infiltrou, distribuiu assistências mágicas e acertou arremessos decisivos. "Nico" flutuou em quadra, terminando aquela partida histórica com 24 pontos e 6 assistências.

O Flamengo venceu por 90 a 77, chocou o mundo e se sagrou Campeão Mundial. Nicolás Laprovittola foi coroado, merecidamente, como o MVP da Copa Intercontinental. Ele foi o melhor jogador em quadra contra os campeões da Europa. A passagem de Laprovittola no Flamengo havia atingido seu ápice.


4. Temporada 2 (2014-15): A Coroação do "Homem Decisivo"

Depois de ser campeão de tudo, a pergunta era: o que falta? Para Laprovittola, faltava consolidar seu legado como o maior "clutch player" (jogador decisivo) da liga.

A temporada 2014-15 foi ainda mais desafiadora. O Flamengo era o time a ser batido em todas as competições. Na final do NBB 7, o adversário foi a "super-equipe" do Bauru, que contava com estrelas como Alex Garcia, Hettsheimeir e Ricardo Fischer.

Desta vez, a final foi em uma série melhor de três. E foi a série da consagração de Laprovittola. Ele foi, sem sombra de dúvidas, o dono dos playoffs. No Jogo 2, o decisivo, no caldeirão do Maracanãzinho, "Nico" foi novamente o maestro. Ele controlou cada segundo da partida, anotou 11 pontos, distribuiu 7 assistências e liderou o Flamengo ao seu tetracampeonato consecutivo (o tricampeonato pessoal dele e de Neto, e o quarto da história do NBB).

Sua performance em toda a série final foi tão dominante que ele foi eleito, de forma unânime, o MVP das Finais do NBB. Em duas temporadas, ele havia conquistado os dois maiores MVPs possíveis: o do Mundial e o das Finais do NBB.


5. O Legado de "Lapro": Curto, Avassalador e Inesquecível

No final da temporada 2014-15, o inevitável aconteceu. Nicolás Laprovittola estava grande demais para a América do Sul. Sua performance no Mundial e seu domínio no NBB chamaram a atenção do mundo. Ele deixou o Flamengo em 2015 para buscar seu sonho de jogar na Europa e, posteriormente, na NBA (onde atuou pelo San Antonio Spurs).

A passagem de Laprovittola no Flamengo infelizmente durou apenas duas temporadas, mas seu legado é eterno. Ele foi o ponto de inflexão, nosso camisa 10 com a bola larajna que transformou um time muito bom em um time histórico.

Títulos de Laprovittola no Flamengo (2013-2015):

  • 1x Copa Intercontinental (Mundial de Clubes) (2014)

  • 1x Liga das Américas (2014)

  • 2x Novo Basquete Brasil (NBB) (2013-14, 2014-15)

  • 2x Campeonato Carioca

Prêmios Individuais de Destaque:

  • MVP da Copa Intercontinental (2014)

  • MVP das Finais do NBB (2015)

  • Melhor Armador do NBB (2014-15)

Em suma, "Nico" não foi apenas mais um argentino que vestiu o Manto Sagrado. Ele foi o maestro da era mais vitoriosa do basquete rubro-negro, o líder técnico que, ao lado de José

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem

Formulário de contato