Se a conquista de 2013 foi a "Reconquista" que quebrou o jejum e devolveu o Flamengo ao topo, a temporada seguinte, 2013-14, tinha um sabor diferente. Era a prova de fogo. Era o momento de provar que o título anterior não fora um caso isolado, mas sim a fundação de algo muito maior. O terceiro título do Flamengo no NBB não foi apenas mais um troféu para a galeria(que aliás vai preciar ser reformada de tanto troféu); foi o grito de "viemos para ficar", o início de uma hegemonia e a consolidação de um projeto que entraria para a história como a maior dinastia do basquete brasileiro.
Liderado mais uma vez pela mente estratégica de José Neto, o Flamengo entrou no NBB 6 (temporada 2013-14) não mais como um desafiante, mas como o time a ser batido. A diretoria rubro-negra entendeu o momento e foi ao mercado para qualificar ainda mais um elenco que já era estelar. O resultado foi uma campanha sólida, uma final emocionante e a confirmação de que o "Orgulho da Nação" era, de fato, a maior força do basquete nacional, com sobras.
Este artigo mergulha na memória daquela temporada dourada, que me deu ainda mais motivos para comemorar, relembrando a chegada de peças-chave, a campanha dominante e a final eletrizante que garantiu o bicampeonato consecutivo ao Flamengo.
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🏀 O Alvo nas Costas: O Desafio de Entrar como Campeão
Defender um título é, em muitos aspectos, mais difícil do que conquistá-lo pela primeira vez. Em 2013, o Flamengo havia encerrado a dinastia de três anos do Brasília. Em 2014, todos os adversários se prepararam com um único objetivo: derrubar o Flamengo.
O técnico José Neto sabia disso. A pressão era imensa, mas o projeto do FlaBasquete estava mais robusto. Mantendo a base vitoriosa que contava com os ídolos Marcelinho Machado, Marquinhos e Olivinha, o clube foi ao mercado e fez duas contratações que mudariam para sempre o patamar da equipe.
Para a armação, chegou o argentino Nicolás Laprovittola. Um jogador com visão de jogo espetacular, arremesso preciso e uma intensidade típica dos hermanos que casou perfeitamente com o espírito da torcida.
Para o garrafão, veio o pivô americano Jerome Meyinsse. Uma força da natureza, com capacidade atlética descomunal, especialista em tocos e enterradas que levantavam a tori. Juntos, "Lapro" e "Big Meyinsse" não eram apenas reforços; eram as peças que faltavam para transformar um time campeão em um time lendário.
🔥 A Campanha da Confirmação (NBB 6)
Com um elenco ainda mais profundo e entrosado, o Flamengo de José Neto repetiu a dose da temporada anterior: dominou a fase de classificação. O time não deu chances aos adversários, mostrando uma consistência impressionante e garantindo, mais uma vez, a melhor campanha da temporada regular, com um recorde de 26 vitórias e apenas 6 derrotas.
Essa primeira colocação era estratégica. Assim como no ano anterior, o regulamento do NBB 6 previa uma final em jogo único, a ser disputada na casa da equipe de melhor campanha. Ao garantir o primeiro lugar geral, o Flamengo conquistou o direito de decidir o título diante de sua torcida, na HSBC Arena (atual Jeunesse Arena).
Nos playoffs, o time seguiu firme. A química entre os veteranos brasileiros e os novos reforços estrangeiros fluía perfeitamente. Sob a batuta de José Neto, o Flamengo superou os desafios e carimbou seu passaporte para a segunda final consecutiva. O adversário da vez seria o surpreendente e talentoso time do Paulistano, de São Paulo, que havia feito a segunda melhor campanha da liga.
🏆 A Final Eletrizante: Flamengo 78 x 73 Paulistano
No dia 31 de maio de 2014, a HSBC Arena estava novamente lotada. A torcida rubro-negra compareceu em peso para empurrar o time rumo ao bicampeonato. Mas do outro lado havia uma equipe jovem e destemida, comandada pelo então técnico Gustavo de Conti (que, ironicamente, se tornaria ídolo no Flamengo anos depois).
A partida foi um reflexo fiel do que foi o Paulistano naquela temporada: um adversário duríssimo, que não se intimidou com o caldeirão. O jogo foi tenso, equilibrado e disputado ponto a ponto do início ao fim.
O Flamengo impunha seu jogo de transição e a força do seu garrafão, enquanto o Paulistano respondia com velocidade e arremessos precisos. Diferente da final do ano anterior contra o Uberlândia, esta foi uma batalha decidida nos detalhes, nos momentos finais.
Foi aí que a estrela daquele que era considerado um "coadjuvante de luxo" brilhou mais forte.
🌟 O Herói Inesperado: A Consagração de Jerome Meyinsse
Se na temporada anterior o MVP da final foi Caio Torres, em 2014 o dono do jogo foi Jerome Meyinsse. O pivô americano foi a personificação da energia que o Flamengo precisava para vencer uma final tão equilibrada.
"Big Meyinsse" foi uma força dominante nos dois lados da quadra. No ataque, foi eficiente e explosivo, terminando como o cestinha rubro-negro na decisão, com 16 pontos. Na defesa, seu papel foi ainda mais vital. Ele protegeu o aro com vigor, distribuiu tocos e garantiu rebotes cruciais nos momentos de maior pressão do Paulistano.
Enquanto Laprovittola orquestrava (11 pontos e 6 assistências) e Marcelinho pontuava (11 pontos), foi Meyinsse quem fez o "trabalho sujo" com uma excelência que lhe rendeu, merecidamente, o troféu de MVP das Finais. Sua atuação foi o fator de desequilíbrio que permitiu ao Flamengo segurar a vantagem no placar.
Ao soar do cronômetro, a festa explodiu: Flamengo 78 x 73 Paulistano. O Orgulho da Nação era bicampeão consecutivo e conquistava, assim, o seu terceiro título na história do NBB.
📈 O Legado do Tri: O Passaporte para o Mundo
O terceiro título do Flamengo no NBB foi muito mais do que apenas a segunda taça de uma sequência. Ele foi a consolidação definitiva da "Era José Neto" e a prova de que o projeto do FlaBasquete era o mais sólido e vitorioso do país.
Mais importante ainda, essa temporada 2013-14 não terminou ali. Poucos meses antes, em março de 2014, esse mesmo elenco já havia conquistado a Liga das Américas, o título continental. Com a vitória no NBB, o Flamengo se credenciou como a maior força do continente, ganhando o direito de disputar o título mais importante de sua história.
Em setembro daquele mesmo ano, o Flamengo enfrentaria o Maccabi Tel Aviv, campeão da Euroliga, e se sagraria Campeão Mundial Intercontinental. O terceiro título do NBB, portanto, não foi um fim em si mesmo. Ele foi o passaporte que permitiu ao Flamengo e à "Era José Neto" alcançarem o topo do mundo.