O Arquiteto da Glória: Como José Neto Construiu a Maior Dinastia da História do FlaBasquete

Na galeria de imortais da Gávea, costumamos olhar para quem veste o uniforme e faz o gol (ou a cesta). Mas a história do Clube de Regatas do Flamengo reserva um altar especial para os estrategistas. E quando falamos de bola laranja, nenhum nome é maior, mais vitorioso e mais reverenciado do que José Neto.

A passagem de Neto pelo Flamengo não foi apenas um "trabalho bem feito". Foi a construção de uma hegemonia. Ele pegou um time que vivia à sombra de um rival e o transformou no dono do planeta.

Se o futebol tem seus "Místicos", o basquete tem o seu "Arquiteto". Neste artigo, vamos mergulhar nos seis anos dourados (2012-2018) onde José Neto ensinou ao Brasil que defesa ganha campeonato e que o Flamengo não entra em quadra para competir, mas para dominar.

1. 2012: A Missão de Destronar o Rei

Para entender o tamanho do feito de Neto, precisamos lembrar o cenário de 2012. O Flamengo tinha tradição, sim, mas o dono do basquete brasileiro era o Brasília. O time do Distrito Federal, liderado por Guilherme Giovannoni e Alex Garcia, havia acabado de conquistar um tricampeonato consecutivo do NBB.

A Nação estava impaciente. O "Orgulho da Nação" precisava de uma resposta. A diretoria apostou em José Neto, um técnico vindo da Liga Sorocabana, conhecido por ser estudioso e ter um perfil calmo, quase avesso aos holofotes.

O Impacto Imediato: Neto não pediu tempo para adaptação. Ele chegou e implementou uma filosofia de "defesa sufocante". Logo na primeira temporada (2012-13), ele mesclou a experiência de Marcelinho Machado com o auge físico de Marquinhos. O resultado? O título do NBB, quebrando a sequência do Brasília e lavando a alma do torcedor. Mas aquilo era apenas o aquecimento.



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2. 2014: O Ano Mágico e o Topo do Mundo

Se o NBB devolveu o orgulho nacional, 2014 colocou o Flamengo em um patamar que poucos clubes fora da NBA conhecem. Foi a temporada perfeita.

Primeiro, a conquista inédita da Liga das Américas, vencendo o Pinheiros no Maracanãzinho. O continente ficou pequeno. O próximo passo era o mundo.

Davi contra Golias: Em setembro de 2014, o Flamengo enfrentou o Maccabi Tel Aviv (Israel), campeão da Euroliga, pela Copa Intercontinental FIBA. O orçamento dos europeus era infinitamente maior. O elenco deles era de nível NBA. Mas José Neto tinha um plano.

Após perder o primeiro jogo por três pontos, Neto ajustou a marcação e desenhou um ataque cirúrgico para o Jogo 2. O Flamengo venceu por 90 a 77. Foi um massacre tático. Neto anulou as estrelas europeias e potencializou o talento de Nicolás Laprovittola e Jerome Meyinsse. Ali, na Arena da Barra, o Flamengo se tornou Campeão Mundial.

3. A Dinastia do Tetracampeonato

O que difere um time campeão de uma dinastia é a consistência. Ganhar uma vez é difícil; ganhar quatro vezes seguidas é quase impossível. E foi isso que Neto entregou.

Sob seu comando, o Flamengo enfileirou o NBB:

  • 2012-13: A Reconquista.

  • 2013-14: A Confirmação.

  • 2014-15: A Hegemonia (vencendo o supertime do Bauru).

  • 2015-16: A Lenda (virando a série contra o Bauru).

Durante quatro anos, ninguém no Brasil jogou mais basquete que o Flamengo. A filosofia de Neto virou lei: "O ataque ganha jogos, a defesa ganha campeonatos". Seus times eram máquinas de triturar adversários na defesa, permitindo que o talento ofensivo fluísse naturalmente.

4. O Gestor de Egos e Estrelas

Talvez a maior virtude de José Neto não estivesse na prancheta tática, mas no vestiário. Gerenciar um elenco com Marcelinho Machado (ídolo máximo em fim de carreira), Marquinhos (MVP no auge), Walter Herrmann (campeão olímpico) e estrangeiros como Laprovittola não é para qualquer um.

Neto fez isso com maestria.

  • Transição Suave: Ele gerenciou a passagem de bastão de Marcelinho para Marquinhos sem crises de ego.

  • Coletividade: Ele convenceu estrelas a marcarem forte e a passarem a bola. No time de Neto, o sistema era a estrela.

5. O Legado Eterno (2018)

Como tudo na vida, o ciclo se encerrou. Em 2018, após seis anos e um desgaste natural, Neto e Flamengo seguiram caminhos opostos. Mas não houve tristeza, apenas gratidão.

Ele deixou a Gávea como o técnico mais vitorioso da história do basquete rubro-negro.

  • 1x Mundial (Copa Intercontinental)

  • 1x Liga das Américas

  • 4x NBB

  • Inúmeros Estaduais

Conclusão

José Neto não apenas ganhou títulos; ele mudou a cultura do clube. Ele transformou o FlaBasquete em uma marca global, respeitada na Europa e na NBA. Ele preparou o terreno para que seus sucessores (como Gustavo de Conti) continuassem a vencer.

Hoje, quando vemos o Flamengo disputando cada bola como se fosse a última, vemos o DNA de José Neto em quadra.

E para você, qual foi o título mais marcante da Era Neto: o Mundial de 2014 ou algum dos NBBs? Comente abaixo!.

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