A Reconquista: Como o Título do NBB 5 Encerrou a Era Brasília e Iniciou a Dinastia Rubro-Negra

No dicionário da Nação Rubro-Negra, a temporada 2012-13 tem um sinônimo: Alívio. Para quem viveu aquela época, o basquete era um misto de orgulho e frustração. O Flamengo havia vencido o primeiro NBB (2009), mas viu o Brasília construir uma hegemonia dolorosa nos três anos seguintes.

O "Orgulho da Nação" estava ferido. O nosso maior rival empilhava taças enquanto nós batíamos na trave. Por isso, o título do NBB 5 não foi apenas mais um troféu na estante da Gávea. Foi a "Reconquista". Foi o momento em que o Flamengo disse: "Acabou a brincadeira. Agora quem manda é a gente".

Neste artigo, relembramos a temporada perfeita que quebrou o jejum, apresentou José Neto ao mundo e plantou a semente para o título mundial que viria depois.

1. O Fantasma do Planalto Central

Para entender a explosão da HSBC Arena em 2013, é preciso lembrar do silêncio dos anos anteriores. O Brasília de Alex Garcia e Giovannoni era uma máquina. Eles venceram três vezes seguidas (2010, 2011, 2012). O Flamengo precisava de uma revolução.

E a revolução teve nome e sobrenome: José Neto. A diretoria trouxe um técnico com mentalidade defensiva e montou um elenco que era uma bomba-relógio de talento:

  • A Alma: Marcelinho Machado e Olivinha (remanescentes e famintos).

  • O Craque: Marquinhos (chegando para ser o dono da bola).

  • A Força: Caio Torres (o pivô dominante que faltava).


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2. A Campanha do Rolo Compressor

O recado foi dado logo na fase regular. O Flamengo não queria apenas vencer; queria humilhar. O time emplacou uma sequência histórica de 20 vitórias consecutivas.

A defesa de José Neto sufocava, e o ataque com Marquinhos (eleito MVP da Temporada) era imparável. O Flamengo terminou em primeiro lugar geral, garantindo o direito sagrado de decidir a final em casa, em jogo único. O palco estava montado. O adversário da vez não era Brasília, mas o perigoso Uberlândia.

3. A Batalha da HSBC Arena (01/06/2013)

Mais de 16 mil rubro-negros lotaram a arena na Barra. O clima era de "já ganhou", mas do outro lado havia veteranos como Valtinho. O jogo foi um teste para cardíacos.

O Susto: O Flamengo começou bem, mas travou no segundo quarto. O Uberlândia, inteligente, virou o jogo e foi para o intervalo vencendo por 34 a 33. O fantasma do vice rondou o ginásio. O silêncio era tenso.

A Virada Tática: No vestiário, José Neto ajustou a defesa e acalmou os ânimos. O Flamengo voltou para o terceiro quarto com sangue nos olhos. Foi a "chuva de três" que destravou o jogo. Kojo Mensah, Duda e Olivinha começaram a acertar do perímetro. O time venceu o período por 25 a 15, abrindo a vantagem que precisava.

4. O Dono da Final: Caio Torres

Se Marquinhos foi o rei da temporada, a final teve outro dono. Caio Torres foi um monstro no garrafão. Em um jogo tenso, onde a bola queimava na mão, Caio foi a segurança. Ele dominou os rebotes ofensivos e amassou a defesa mineira.

Seus números na decisão explicam tudo: 23 pontos e 10 rebotes. Ele foi eleito o MVP da Final com justiça. Nos minutos finais, coube ao time apenas administrar a vantagem e esperar o cronômetro zerar para o placar de 77 a 70.

5. O Legado: A Pedra Fundamental da Dinastia

Aquele dia 1º de junho de 2013 mudou a história do basquete nacional. Ao levantar a taça, o Flamengo não apenas empatou com o Brasília em número de títulos (na época), mas iniciou sua própria hegemonia.

Aquele time, com aquela base (Neto, Marcelinho, Marquinhos, Olivinha), ganharia o Tetracampeonato Consecutivo nos anos seguintes e o Mundial em 2014. O título de 2013 foi a faísca. Foi o dia em que o "Orgulho da Nação" deixou de ser um slogan para voltar a ser uma realidade inquestionável.

E você, onde estava no dia dessa final? Lembra do sufoco no segundo quarto? Conte sua história nos comentários!


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