A Reconquista: A História do Segundo Título do Flamengo no NBB (2012-13)

 No universo do basquete brasileiro, poucas temporadas são tão emblemáticas quanto a de 2012-2013. Principalmente para nós, amantes do basquete e integrantes da imensa Nação Rubro-Negra, ela representa muito mais do que uma simples estatística de campeonato; ela simboliza a retomada, o orgulho ferido e o início de uma dinastia. Após ver um rival construir uma hegemonia, o Flamengo se reergueu para conquistar o segundo título do Flamengo no NBB, um feito que lavou a alma dos torcedores e redefiniu o equilíbrio de poder no esporte da bola laranja no país.

Qualquer torcedor que acompanhava o Novo Basquete Brasil (NBB), inclusive eu, naquela época sabe: o Flamengo havia vencido a edição inaugural (2008-09), dando a impressão de que um longo reinado começaria ali. Contudo, o que se viu nos três anos seguintes foi a ascensão de um adversário formidável. O Brasília Basquete, que virou nosso principal rival da época, com um projeto sólido e um elenco de estrelas, enfileirou um tricampeonato (2009-10, 2010-11, 2011-12), deixando o Rubro-Negro e seu "Orgulho da Nação" em um incômodo jejum.



A temporada 2012-13, portanto, não começou apenas com o objetivo de "ganhar". Ela começou com a missão de "reconquistar". Era preciso provar que o projeto do FlaBasquete era o mais poderoso do Brasil. E, liderados por um novo comandante e um elenco que mesclava experiência e vigor, o Flamengo fez exatamente isso, culminando em uma final inesquecível na HSBC Arena.

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🏀 O Cenário Pré-2013: A Sede Rubro-Negra pelo Bi

Para compreender a importância do segundo título do Flamengo no NBB, é fundamental analisar o contexto da época. O Flamengo havia sido o protagonista na fundação da Liga Nacional de Basquete e sagrou-se o primeiro campeão do NBB. Aquele troféu inaugural, com Marcelinho Machado em seu auge, parecia ser apenas o primeiro de muitos.

No entanto, o basquete é um esporte de ciclos. E o ciclo seguinte pertenceu inteiramente a Brasília. A equipe da capital federal, sob o comando de José Carlos Vidal, montou um time que parecia imbatível. Nomes como Alex Garcia, Nezinho, Guilherme Giovannoni e Arthur Belchor dominaram a liga, vencendo três finais consecutivas. Para o Flamengo, restaram campanhas de frustração, caindo precocemente nos playoffs ou sendo eliminado pelo próprio algoz candango.

Esse período de "seca" aumentou a pressão sobre o departamento de basquete do clube. A torcida, acostumada com a glória, exigia uma resposta à altura. Não bastava mais ser competitivo; era preciso ser campeão. Foi com essa mentalidade que o clube foi ao mercado para montar o elenco da temporada 2012-13, trazendo peças que seriam cruciais para a virada de chave.


🛠️ A Montagem do Esquadrão: O Flamengo do Técnico José Neto

A mudança mais significativa talvez tenha vindo do banco de reservas. O Flamengo apostou em José Neto, um técnico que trazia novas ideias e uma filosofia de defesa intensa, para ser o maestro da reconquista. A diretoria, por sua vez, trabalhou para lhe dar as ferramentas necessárias.

O elenco formado para aquela temporada se provaria um dos mais equilibrados da história do clube, misturando ídolos consagrados com novas estrelas famintas por títulos:

  • Marcelinho Machado: O Capitão. Mesmo mais experiente, seguia sendo a alma do time, o líder vocal e técnico dentro e fora de quadra.

  • Marquinhos: O craque. Assumindo o protagonismo ofensivo, Marquinhos viria a ter uma temporada espetacular, sendo posteriormente coroado como o MVP do campeonato.

  • Olivinha: O "Deus da Raça". Olivinha já era um pilar da equipe, sinônimo de luta incessante por rebotes e energia contagiante.

  • Caio Torres: Contratado para ser o pivô dominante, Caio se encaixou perfeitamente no esquema, sendo uma força descomunal no garrafão.

  • Kojo Mensah: O armador americano trazia um ritmo diferente para o jogo, com velocidade e boa capacidade de definição.

  • Gegê: Jovem e vindo do banco, Gegê demonstrava uma maturidade incrível na condução das jogadas, sendo uma peça de rotação vital.

  • Vítor Benite: Embora tenha sofrido uma lesão que o tirou da grande final, Benite foi fundamental durante toda a campanha, com seus arremessos de fora e defesa sólida.

Com esse grupo em mãos, José Neto tinha um objetivo claro: construir a melhor defesa da liga, para então liberar seu poderoso ataque. E a estratégia funcionou de maneira avassaladora.


🔥 Uma Campanha Dominante: A Trajetória até a Final

O Flamengo de 2012-13 não deu margem para dúvidas. Desde os primeiros jogos, o time mostrou um volume de jogo e uma consistência muito acima dos rivais. A campanha na fase de classificação foi um verdadeiro rolo compressor. O time estabeleceu um recorde histórico na época, com 20 vitórias consecutivas, demonstrando uma superioridade que há muito não se via.

Essa performance avassaladora garantiu ao Flamengo a melhor campanha da temporada regular. Por que isso é tão importante? Porque, de acordo com o regulamento daquela edição, a final seria disputada em jogo único, e o time de melhor campanha teria o direito de sediar essa partida decisiva.

Ao varrer a fase de classificação, o Flamengo não apenas garantiu sua vaga nos playoffs, mas também conquistou o direito de decidir o título em casa, diante de sua torA torcida. Nos playoffs, o time manteve o ímpeto, superando seus adversários (como Bauru, em uma semifinal eletrizante) para carimbar seu passaporte para a grande decisão. O adversário seria o forte time do Unitri/Uberlândia, o terceiro colocado na fase de classificação.

O palco estava montado: 1º de junho de 2013, HSBC Arena, no Rio de Janeiro.


🏆 O Jogo do Título: Flamengo 77 x 70 Uberlândia

A final do NBB 5 (temporada 2012-13) foi um evento monumental. Mais de 16 mil torcedores lotaram a HSBC Arena, criando um caldeirão vermelho e preto ensurdecedor. O Flamengo tinha a vantagem da torcida, mas o Uberlândia, treinado por Hélio Rubens, contava com jogadores experientes como Valtinho e o americano Robby Collum.

A partida foi exatamente como uma final deve ser: tensa, disputada e emocionante.

Primeiro Quarto: O Impacto Rubro-Negro Empurrado pela torcida, o Flamengo começou melhor. Marquinhos abriu os trabalhos com uma enterrada espetacular que incendiou a arena. Com uma defesa forte e bom aproveitamento, o time de José Neto fechou o primeiro período na frente: 21 a 15.

Segundo Quarto: A Reação Mineira Uberlândia, no entanto, não estava ali a passeio. O time mineiro ajustou sua defesa, dificultou os arremessos de três pontos do Flamengo (que não caíam) e, pacientemente, encontrou seus pontos no ataque. O Flamengo se perdeu ofensivamente, e o adversário aproveitou. Em um segundo quarto muito ruim do time da casa, o Uberlândia conseguiu a virada e foi para o intervalo vencendo por um ponto: 34 a 33. A tensão tomou conta da arena.

Terceiro Quarto: A Explosão e a Retomada O vestiário no intervalo foi crucial. José Neto precisava acordar seu time, e ele o fez. O Flamengo voltou para o terceiro período com outra postura. Foi então que as bolas de três, que tanto fizeram falta, começaram a cair. Kojo Mensah, Olivinha, Bruno Zanotti e Duda Machado acertaram arremessos de longa distância que quebraram a defesa mineira.

Foi nesse período que a força coletiva do Flamengo apareceu. A defesa voltou a ser sufocante e o ataque fluiu. O Rubro-Negro venceu o período por 25 a 15, abrindo uma vantagem importante e entrando no último quarto vencendo por 58 a 49.

Quarto Período: A Coroação dos Heróis No último período, o Flamengo jogou com a inteligência que se espera de um campeão. O time soube administrar a vantagem, gastar o cronômetro e responder a cada tentativa de reação do Uberlândia.

Dois jogadores foram gigantescos na reta final: Caio Torres e Olivinha. Caio foi uma força imparável no garrafão, dominando os rebotes e sendo o cestinha da equipe. Olivinha, como sempre, lutava por cada bola como se fosse a última, garantindo segundas chances no ataque e levantando a torcida.

Uberlândia não se entregou, valorizando muito a conquista, mas a noite era rubro-negra. Ao som dos gritos de "É Campeão!", o cronômetro zerou: Flamengo 77 x 70 Uberlândia. O Rio de Janeiro explodia em festa. O Flamengo, após quatro longos anos, era novamente o dono do basquete brasileiro.


🌟 Os Heróis do Segundo Título do Flamengo no NBB

Aquela conquista teve dois MVPs distintos, que resumem perfeitamente o que foi aquele time:

  1. Marquinhos (MVP da Temporada): Foi o jogador mais dominante de todo o campeonato. Com uma média de pontos impressionante e um arsenal ofensivo completo, Marquinhos foi o líder técnico que carregou o time nas costas durante a maratona da fase regular. O prêmio de Melhor Jogador da temporada foi uma coroação justa.

  2. Caio Torres (MVP da Final): Se Marquinhos foi o dono da temporada, Caio Torres foi o dono da final. Em uma partida nervosa, ele foi a rocha do time. O pivô terminou o jogo com números dominantes: 23 pontos e 10 rebotes. Ele foi a escolha óbvia para MVP da grande decisão, coroando sua atuação de gala.

Junto a eles, a liderança de Marcelinho, a raça de Olivinha e a mente estratégica de José Neto foram os pilares que permitiram ao Flamengo finalmente celebrar seu bicampeonato.


📈 O Legado do Bi: O Início da Maior Dinastia do Basquete Brasileiro

Olhando em retrospecto, o segundo título do Flamengo no NBB foi muito maior do que apenas o fim de um jejum. Para nós torcedores, ele foi a pedra fundamental da maior dinastia da história do basquete brasileiro.

Aquele troféu de 2012-13 foi o primeiro do que se tornaria um tetracampeonato consecutivo (2012-13, 2013-14, 2014-15, 2015-16). Além disso, abriu as portas para conquistas internacionais, como a Liga das Américas e o histórico título Mundial Intercontinental em 2014.

Se o primeiro título, em 2009, colocou o Flamengo no mapa do NBB, o segundo, em 2013, foi a "Reconquista" que tirou o cetro de Brasília e o colocou definitivamente na Gávea. Foi a temporada que provou que o investimento valia a pena e que o "Orgulho da Nação" estava destinado a dominar o esporte no país por muitos anos.

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