Se hoje nos acostumamos a ver o Flamengo dominando as Américas e o Mundo na quadra, é porque houve um começo. E esse começo tem data, local e um adversário digno.
Em 2008, o basquete brasileiro estava na UTI. Campeonatos desorganizados e falta de profissionalismo eram a regra. Foi quando os clubes decidiram tomar as rédeas e criaram o Novo Basquete Brasil (NBB). A promessa era modernizar o esporte.
Para o Flamengo, porém, a promessa era outra: provar que o "Orgulho da Nação" não era apenas um slogan, mas uma profecia. Na temporada inaugural (2008-09), o Rubro-Negro não entrou para competir; entrou para fazer história.
Neste artigo, viajamos no tempo para relembrar a batalha épica de cinco jogos contra o Brasília, que nos deu a Primeira Estrela do NBB.
1. A Montagem do Esquadrão Pioneiro
O Flamengo abraçou o projeto do NBB com ambição de gigante. Sob o comando do técnico Paulo Chupeta, o clube montou um elenco que era uma verdadeira seleção. Não eram apenas bons jogadores; eram peças que se completavam perfeitamente.
Marcelinho Machado (O Capitão): A alma do time. Cestinha voraz, líder moral e a referência técnica. A bola de segurança sempre era dele.
Duda Machado: O irmão e escudeiro. Especialista na defesa e no "chute de três" nos momentos críticos.
Fernando Baby e Wagner: A força bruta no garrafão. Eles garantiam que ninguém entrasse na nossa área pintada sem levar uma trombada.
Hélio: O cérebro. Um armador experiente que controlava o ritmo.
Kyle Lamonte: O "fator x". O norte-americano chegou com a temporada em andamento e adicionou uma capacidade atlética e de pontuação que as defesas brasileiras não conseguiam parar.
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2. O Nascimento da Maior Rivalidade do País
Se hoje o NBB é respeitado, é porque Flamengo e Universo/Brasília elevaram o nível da competição logo no primeiro ano.
O time de Brasília era uma potência, com Nezinho, Alex Garcia e Valter. Durante anos, essa seria a "final antecipada" de qualquer campeonato. Naquela temporada inaugural, os dois times sobraram. A final não poderia ser outra. Foi o encontro dos dois melhores projetos do país, decidindo quem seria o primeiro rei do novo basquete brasileiro.
3. A Batalha dos 5 Jogos
A decisão foi uma montanha-russa emocional, disputada em uma série "melhor de cinco". O equilíbrio era tanto que cada time defendeu seu mando de quadra com a vida.
Ninguém conseguia roubar o jogo na casa do adversário. A série foi empatada em 2 a 2, com jogos nervosos, provocações e ginásios lotados. O destino quis que a decisão ficasse para o último suspiro: o Jogo 5, no Rio de Janeiro.
4. A Coroação na HSBC Arena
O dia 28 de junho de 2009 entrou para a história. A HSBC Arena (atual Jeunesse Arena) recebeu um mar vermelho e preto. A pressão da Nação foi o sexto jogador.
Diferente dos jogos anteriores, onde o equilíbrio imperou, no jogo final o Flamengo impôs sua hierarquia. O Protagonista: Marcelinho Machado chamou a responsabilidade. Eleito o MVP das Finais, ele foi imparável, anotando 27 pontos na decisão. O Brasília tentou reagir, mas a defesa do Flamengo, empurrada pela torcida, não cedeu. O placar final de 76 a 68 decretou: o Flamengo era o primeiro campeão da história do NBB.
5. O Legado: A Semente da Dinastia
Aquele título de 2009 foi muito mais que um troféu.
Pioneirismo: Ser o primeiro campeão deu ao Flamengo a autoridade de ser o "dono" da liga desde o berço.
Confiança: Mostrou para a diretoria que o basquete valia o investimento. Se não tivéssemos ganho em 2009, talvez os investimentos que trouxeram Laprovittola, Meyinsse e Marquinhos anos depois não tivessem acontecido.
Aquele time de Marcelinho e Chupeta plantou a semente. A árvore cresceu, deu frutos e hoje somos campeões mundiais. Mas tudo começou naquela tarde na HSBC Arena.
E você, acompanhou essa primeira final em 2009? Lembra da rivalidade com o Alex Garcia do Brasília? Conte sua memória nos comentários!