A base do Flamengo é uma fábrica de talentos, antigamente até falávamos, “Craque
o Flamengo faz em casa”, mas costumamos associar "Garotos do Ninho" a
dribladores mágicos como Vinícius Jr. ou meias clássicos como Lucas Paquetá.
Porém, o futebol não é feito apenas de poesia; ele precisa de prosa, de suor e
de aço.
João Gomes é a prova viva de que a Nação não idolatra
apenas quem faz gol de bicicleta. A Nação abraça quem deixa a alma em campo.
Ele não era o mais badalado da base, não tinha holofotes, mas se tornou o
coração pulsante da geração multicampeã de 2022.
Neste artigo, analisamos como esse volante de desarme
cirúrgico saiu do anonimato para se tornar o "Pitbull" que a torcida
jamais esquecerá.
A Oportunidade no Caos: O "Surto" de 2020
A história de João Gomes é uma lição de preparação. Ele
não subiu para o profissional com festa; ele subiu por necessidade. Durante o
surto de Covid-19 que dizimou o elenco em 2020, o garoto foi lançado na
fogueira pelo então técnico Domènec Torrent.
A maioria dos jovens sentiria a pressão. João Gomes
sentiu fome.
A Diferença Técnica: O que chamou a atenção não
foi um drible, mas a capacidade sobrenatural de recuperação de posse.
João Gomes tinha (e tem) um "imã" nos pés. Ele encurtava espaços,
mordia calcanhares e ganhava divididas contra veteranos. Ele entrou para tapar
buraco e acabou tapando a boca dos críticos: nunca mais largou o osso.
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2022: O Motor Invisível da América
Foi sob o comando de Dorival Júnior que João Gomes
atingiu o status de classe mundial. No esquema tático de 2022, todos olhavam
para o "Quarteto Mágico" (Arrascaeta, Ribeiro, Pedro e Gabigol), mas
aquela mágica só era possível porque João Gomes corria por todos eles.
Ao lado de Thiago Maia, ele formou uma parede à frente
da zaga. Mas João evoluiu. Deixou de ser apenas um "destruidor" de
jogadas para se tornar um volante moderno (box-to-box), que desarma e
inicia o ataque com qualidade.
Análise do Torcedor: Na final da Libertadores
contra o Athletico-PR, João Gomes fez uma das atuações defensivas mais absurdas
da história recente do clube. Ele anulou o meio-campo adversário sozinho,
permitindo que o Flamengo controlasse o jogo mesmo com um jogador a menos em certos
momentos de pressão. Ele não fez o gol do título, mas garantiu que não
tomássemos o empate.
O "Pitbull" e o Legado da Raça
A identificação foi instantânea. O grito de "Jooo-ão
Goo-mes!" vindo das arquibancadas do Maracanã não era apenas apoio;
era reconhecimento. O apelido "Pitbull" caiu como uma luva para um
jogador que celebrava um desarme lateral como se fosse um gol.
Sua venda para o Wolverhampton (Inglaterra) deixou uma
lacuna técnica e emocional. Foi doloroso, mas necessário para os cofres do clube.
Hoje, vê-lo figurar entre os maiores ladrões de bola da Premier League — a liga
mais difícil do mundo — enche o rubro-negro de orgulho. É a prova de que a
nossa base forma atletas completos.
Conclusão
João Gomes ensinou uma lição valiosa para as próximas
gerações da Gávea: talento é fundamental, mas "sangue nos olhos" é
inegociável. Ele provou que, no Flamengo, a técnica conquista aplausos, mas é a
raça que conquista a eternidade.
E para você, João Gomes foi o melhor volante
revelado pelo Flamengo neste século? Deixe sua opinião nos comentários!