Renato Gaúcho no Flamengo: O "Poderoso Chefão" da Gávea

Renato Portaluppi, o Renato Gaúcho, teve uma relação com o Flamengo que foi muito além das quatro linhas. Entre gols decisivos, polêmicas de vestiário e uma liderança que lhe rendeu apelidos de peso, sua passagem pela Gávea definiu o que era ser um "craque-problema" que resolvia em campo nos anos 80 e 90.

Idas e Vindas: Quantas vezes ele jogou?

Renato teve quatro passagens distintas como jogador pelo Rubro-Negro, somando mais de 200 jogos e 68 gols.

  1. 1987–1988: Chegou como a grande contratação para o ataque, vindo do Grêmio, e formou o ataque histórico com Bebeto e Zico.

  2. 1989–1990: Retornou após breve passagem pela Roma, sendo o líder da conquista da Copa do Brasil.

  3. 1993: Uma passagem meteórica e polêmica, onde marcou muitos gols, mas saiu brigado (detalhes abaixo).

  4. 1997–1998: Já veterano, voltou para encerrar seu ciclo no clube, atuando mais centralizado.

Títulos Conquistados

Apesar de não ter uma lista extensa de títulos como a geração de 81, Renato foi fundamental em conquistas que moldaram a história do clube pós-Era Zico:

  • Copa União (Campeonato Brasileiro) de 1987: Foi eleito a Bola de Ouro da revista Placar neste ano, sendo o craque do campeonato ao lado de Zico.

  • Copa do Brasil de 1990: Capitão e líder do time na conquista inédita e invicta.

  • Taça Guanabara: 1988 e 1989.


O Apelido de "Poderoso Chefão"

O termo "Poderoso Chefão" não foi apenas um apelido carinhoso, mas uma definição de seu status no clube, imortalizada inclusive em uma capa da revista Placar de janeiro de 1989.

Renato não era apenas o camisa 7; ele tinha influência direta na diretoria, na escalação e até na logística do time. Sua liderança era tão forte que ele frequentemente batia de frente com treinadores (como Telê Santana na Seleção e Jair Pereira no Flamengo) e agia como um "técnico dentro de campo". Ele centralizava as decisões, protegia seus "afilhados" e cobrava (ou perseguia) quem não rezasse sua cartilha.

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Momentos Polêmicos: A Guerra com a Geração de Djalminha

A passagem de 1993 foi o ápice de sua faceta centralizadora e gerou sua maior polêmica interna. O Flamengo tinha uma safra de ouro subindo da base (a "Geração que ganhou a Copinha"), com nomes como Djalminha, Marcelinho Carioca, Paulo Nunes e Júnior Baiano.

Renato, veterano e "dono do time", entrou em rota de colisão com esses garotos, que queriam espaço e protagonismo. O estopim foi um clássico Fla-Flu em 1993:

  • Durante o jogo, Renato (que já tinha feito dois gols) errou um lance no ataque e não voltou para marcar.

  • Djalminha, o jovem craque temperamental, reclamou acintosamente com Renato, exigindo que ele ajudasse na marcação.

  • A discussão virou briga física no campo, com empurrões e dedos na cara.

O Desfecho do "Chefão": No dia seguinte, a diretoria do Flamengo, dizem as más línguas, sob forte influência de Renato, tomou uma decisão drástica: ficou com o veterano e rescindiu o contrato de Djalminha, expulsando a promessa do clube. Anos depois, Djalminha confirmou que Renato usou sua influência para "limpar" o vestiário. Marcelinho Carioca também foi negociado com o Corinthians pouco tempo depois, desfazendo parte daquela geração promissora por conflitos de ego com o líder.

A Vida Fora de Campo: O Rei do Rio

Renato personificou o espírito carioca, mesmo sendo gaúcho. Sua vida fora de campo era tão noticiada quanto seus gols:

  • Praia e Futevôlei: Era figura carimbada nas praias da Zona Sul, onde ajudou a popularizar o futevôlei. Frequentemente "matava" treinos físicos para ficar na areia, alegando que "quem sabe jogar não precisa treinar tanto".

  • Noite e Mulheres: Galã da época, acumulava capas de revista e romances com celebridades.

  • Amizades Perigosas: Não escondia sua amizade com bicheiros e figuras do submundo carioca (como Maninho), o que lhe dava uma "proteção" extra e aumentava sua aura de intocável no Rio de Janeiro.

Renato Gaúcho no Flamengo foi a síntese do futebol dos anos 80/90: talento absurdo, liderança autoritária e uma vida boêmia que jamais seria aceita no futebol moderno. 

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