Edílson Capetinha no Flamengo: O craque que Foi Herói do Tri

 No folclore do futebol brasileiro, poucos personagens são tão complexos quanto Edílson "Capetinha". Genial com a bola nos pés, infernal para os zagueiros e dono de uma personalidade espontânea, brincalhão dentro d fora de campo, da bola era muito íntimo, ele era o tipo de jogador que a torcida ama ter ao seu lado e odeia enfrentar, os zagueiros também. E a passagem de Edílson Capetinha no Flamengo foi a síntese perfeita de sua carreira: brilhante, explosiva e vitoriosa.

Contratado em 2000, ele não chegou à Gávea como uma promessa, mas como uma estrela consolidada. Já era multicampeão por Palmeiras e Corinthians e figurinha carimbada na Seleção Brasileira (com quem ganharia a Copa do Mundo em 2002).


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Ele desembarcou no Rio como parte de um projeto ambicioso(mais um) para tirar o clube da lama, formando um ataque dos sonhos (pela segunda vez na década) ao lado de Petkovic. Juntos, e com o apoio de coadjuvantes de luxo como o próprio Beto, eles formaram uma das parcerias mais memoráveis da história recente do clube, culminando em um ano de 2001 simplesmente inesquecível.


1. O Parceiro Ideal de Petkovic

Lembro que os dois não se davam, mas se o sérvio Dejan Petkovic era o "cérebro" daquele time, o maestro clássico com o passe refinado e a bola parada mortal, Edílson era o "diabo" incumbido de executar. Ele era a velocidade, o drible curto, a imprevisibilidade e a finalização rápida.

A química entre os dois foi instantânea. Edílson se beneficiava dos lançamentos milimétricos de "Pet", e o sérvio encontrava no "Capetinha" o parceiro ideal para tabelas rápidas e infiltrações. O Flamengo de 2001, sob o comando de Zagallo, era um time que jogava para frente, e a dupla Pet-Edílson era seu motor.

Mas, apesar de todo o seu talento, Edílson era uma bomba-relógio, e foi em 2001 que ele se provou não apenas explosivo, mas absolutamente decisivo.


2. O Protagonista Silencioso do Tri de 2001

Quando se fala da final do Campeonato Carioca de 2001, a imagem que domina 100% da memória afetiva rubro-negra é a da cobrança de falta de Petkovic, aos 43 minutos do segundo tempo. É o "Gol do Tri". Porém, como vimos na história de Beto, aquele momento místico só existiu por causa de seus coadjuvantes.

E, se Beto foi o herói que garantiu a sobrevida no Jogo 2, Edílson foi o herói que construiu a vitória nos dois jogos decisivos.

A Virada no Jogo 2: Como relembrado, o Flamengo precisava vencer o Jogo 2 para forçar a terceira partida. O Vasco abriu 1 a 0. O clima era de velório. Foi então que Beto acertou o golaço de falta e empatou. Mas o empate não bastava. O Flamengo precisava da virada. E ela veio dos pés dele: após uma jogada confusa na área, Edílson "Capetinha", com seu oportunismo e frieza característicos, fuzilou para o gol, marcando o 2 a 1 e levando a decisão para o terceiro e último jogo.

Abrindo os Caminhos no Jogo 3: No jogo decisivo, em 27 de maio de 2001, o Flamengo precisava vencer (o Vasco jogava pelo empate). A tensão era absurda. O time precisava de um gol para tomar o controle da partida. E quem o fez? Edílson. Aos 23 minutos do primeiro tempo, o "Capetinha" recebeu na entrada da área e, com um toque genial, encobriu o goleiro Hélton, abrindo o placar e iniciando a festa.

Aquele gol foi fundamental para que Petkovic pudesse, mais tarde, marcar os outros dois (o segundo e o terceiro, o da falta) que selaram o placar em 3 a 1 e garantiram o título. Em resumo: o gol da virada no segundo jogo e o gol que abriu o placar no terceiro jogo foram ambos de Edílson. Ele foi o verdadeiro protagonista da linha de frente.


3. O Título que Valia a Libertadores: A Copa dos Campeões

A genialidade de Edílson Capetinha no Flamengo não parou no Carioca. Pouco mais de um mês depois, o Flamengo disputou a Copa dos Campeões de 2001, um torneio que reunia os vencedores dos principais torneios regionais do Brasil (Rio-SP, Copa do Nordeste, etc.) e cujo prêmio era a vaga direta para a Libertadores do ano seguinte.

Naquela competição, Edílson foi, talvez, ainda mais decisivo. Na final, contra o São Paulo, o Flamengo precisava de uma vitória simples no segundo jogo para ser campeão. Edílson marcou dois gols na vitória por 3 a 1 na primeira partida. No segundo jogo, uma batalha épica no Rei Pelé, em Maceió, o São Paulo venceu por 3 a 2, mas Edílson marcou mais dois gols para o Flamengo.

Com um placar agregado de 5 a 4, o Flamengo sagrou-se campeão. Edílson foi o artilheiro do time no torneio e o herói absoluto do título, garantindo o clube na competição continental.


4. A "Marra" e o Legado: O Gênio que Entregou

A confiança que Edilson exalava, muitas vezes era confundida com marra, mas diferente de outros personagens folclóricos, Edílson não foi uma promessa ou um "quase". Ele foi um gênio que, apesar do temperamento difícil, da "marra" e das polêmicas, entregou resultados espetaculares em um período crucial.

Sua passagem foi curta, mas avassaladora, nos ajudou na conquista de títulos. Ele deixou o clube em 2001 para jogar no Japão, mas saiu com o status de ídolo e de um dos jogadores mais decisivos a vestir o Manto Sagrado naquele período conturbado.

A história de Edílson Capetinha no Flamengo é a prova de que, no futebol, o talento genial, mesmo quando vem acompanhado de um temperamento caótico, é capaz de produzir momentos eternos. E os dois títulos de 2001, conquistados com seus gols, são a prova irrefutável de sua importância.

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