No futebol carioca, pular o muro da rivalidade costuma ser perigoso. Pouquíssimos jogadores conseguem ser "Deus" nas Laranjeiras e respeitados na Gávea. Edino Nazareth Filho, o Edinho, é essa exceção raríssima.
Ele desembarcou no Flamengo em 1987 não como uma aposta, mas como uma autoridade. Tinha no currículo três Copas do Mundo (78, 82 e 86) e uma passagem de luxo pela Itália. Sua contratação foi um choque de mercado e uma jogada de mestre da diretoria: o Rubro-Negro precisava de um "pai" para a defesa num ano de caos político no futebol brasileiro.
Neste artigo, relembramos como esse zagueiro de classe mundial formou a dupla mais técnica da nossa história e garantiu a Copa União.
1. O Retorno do Capitão (1987)
Após cinco temporadas na Udinese (onde jogou com Zico e criou um laço forte com o Galinho), Edinho quis voltar ao Brasil. Aos 32 anos, muitos duvidavam do seu físico, mas a classe? Essa estava intocada.
Ele chegou para ser o pilar de um "Super Time". O Flamengo de 87 misturava a "Velha Guarda" (Zico, Andrade, Leandro) com a "Garotada de Ouro" (Bebeto, Zinho, Leonardo). Faltava alguém para gritar lá atrás, alguém com a braçadeira moral de quem foi capitão da Seleção Brasileira na Copa de 86. Edinho era esse cara.
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2. A "Zaga de Cinema": Edinho e Leandro
O maior legado de Edinho no Flamengo não foi apenas o título, mas a estética. Ele formou com Leandro (o maior lateral da história, que já jogava na zaga por conta dos joelhos) a dupla de zagueiros mais técnica que o Brasil já viu.
Era um absurdo.
Edinho: Tinha a impulsão, a força física e a saída de bola de um meia (posição que ele também dominava).
Leandro: Tinha a antecipação genial e o passe de um camisa 10.
Análise Tática: Ver Edinho e Leandro saindo pro jogo era um espetáculo. A bola não era rifada. Não existia "chutão". O jogo começava limpo na defesa, facilitando a vida de Andrade e Zico no meio. Era uma zaga que jogava de terno.
3. O Muro da Copa União
O ápice veio no Campeonato Brasileiro de 1987 (a Copa União). Na reta final, contra adversários pesadíssimos como Atlético-MG e Internacional, a experiência de Edinho pesou.
Ele foi uma voz de comando num vestiário de estrelas. Na finalíssima contra o Inter, no Maracanã, Edinho anulou o ataque colorado. Aquele 1 a 0 suado, com gol de Bebeto, teve a assinatura da segurança defensiva que Edinho trouxe. Levantar a taça de 87 foi a prova de que a aposta tinha dado certo.
4. O Zagueiro-Artilheiro e Líder
Edinho não era um "zagueiro-zagueiro". Ele era um jogador completo.
Técnica: Driblava na defesa sem medo e saía de cabeça erguida.
Bolas Paradas: Era cobrador oficial de faltas e pênaltis, algo raríssimo para defensores na época.
Liderança: Falava o jogo todo, organizava a linha de impedimento e não deixava o time relaxar.
Conclusão: Profissionalismo acima da Rivalidade
A passagem de Edinho durou pouco (1987-1988), com 61 jogos e 4 gols. Ele logo voltou para o Fluminense e depois foi campeão pelo Grêmio. Mas o tempo curto foi suficiente para eternizá-lo.
Para a Nação, ele deixou de ser o "rival" para ser o Xerife do Tetra. Edinho provou que qualidade técnica supera qualquer barreira. Ele honrou o Manto Sagrado com a elegância de quem sabia que a bola, no pé dele, estava segura.
E você, viu a dupla Edinho e Leandro jogar? Acha que foi a melhor zaga da nossa história? Comente abaixo!