Nem todo craque precisa de holofotes constantes. Alguns brilham pela inteligência, pela regularidade, pela classe silenciosa que faz o time jogar. Ibson Barreto da Silva, ou simplesmente Ibson, foi um desses casos. Mais um que nasceu no berço de craques chamado Flamengo, ele foi um meio-campista técnico e habilidosos, jogador com característica de carregar a bola colada aos pés enquanto corria, um dos melhores revelados pelo clube nos anos 2000. Com três passagens distintas pela Gávea, ele viveu altos e baixos, mas deixou sua marca definitiva como um dos pilares e heróis do inesquecível Hexacampeonato Brasileiro de 2009.
A Joia Lapidada no Ninho: O Início Promissor
Ibson surgiu na base do Flamengo no início dos anos 2000 como uma das grandes promessas de sua geração. Meio-campista de passe refinado, boa velocidade nos contra-ataques, ótima visão de jogo e boa chegada à frente, ele rapidamente conquistou seu espaço no time profissional. Em sua primeira passagem, foi peça importante nos elencos que conquistaram títulos como a Copa do Brasil de 2006 e campeonatos cariocas, mostrando a qualidade que o levaria ao futebol europeu, sendo contratado pelo Porto, de Portugal.
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A Experiência Europeia e o Retorno Triunfal
Após uma passagem de sucesso em Portugal, onde foi campeão nacional, a Nação sonhava com a volta de seu "Cria". E ela aconteceu em 2007. Ibson retornou mais maduro, mais completo e pronto para assumir o protagonismo no meio-campo rubro-negro. Sua segunda passagem foi o auge de sua carreira no clube. Ele se tornou o motor do time, o jogador que ditava o ritmo, distribuía o jogo e ainda aparecia na área para marcar gols importantes.
Hexa de 2009: 12 pontos recuperados sobre o Palmeiras
Se Adriano era a força e Petković era a magia, Ibson foi a inteligência e a consistência do time campeão brasileiro de 2009. Naquela campanha histórica, especialmente na "arrancada" do segundo turno sob o comando de Andrade, distruiu a vantagem de 12 pontos que tinha o Palmeiras, ele foi absolutamente fundamental. Atuando como um segundo volante ou meia mais avançado, sua capacidade de organizar o jogo, seus passes precisos e suas infiltrações na área foram cruciais. Foi um dos jogadores mais regulares daquele elenco, um verdadeiro maestro discreto que fez a orquestra funcionar com perfeição.
O Terceiro Ato e o Fim de um Ciclo
Após um período na Rússia, Ibson retornou para sua terceira e última passagem pelo Flamengo em 2012. Já mais experiente, contribuiu para a conquista da Copa do Brasil de 2013, adicionando mais um título importante ao seu currículo rubro-negro. Embora com menos brilho que em 2009, sua presença ainda era valorizada pela qualidade técnica.
Habilidade e identificação com o Clube
O legado de Ibson é o do "Cria da Gávea" que sempre correspondeu. Um jogador de classe, que talvez não tivesse o carisma explosivo de outros ídolos, mas que conquistou o respeito da Nação pela sua inteligência em campo e por ter sido uma peça vital em um dos nossos títulos mais emocionantes. Ibson é a prova de que a Gávea forma, acima de tudo, jogadores que entendem o peso do Manto.