Sávio, o "Anjo Loiro da Gávea": A História do Craque Driblador que Iluminou o Ninho

 Houve um tempo em que a ponta-esquerda do Flamengo era território sagrado para a arte do drible. E no início dos anos 90, um garoto loiro, franzino, mas com uma habilidade desconcertante com a bola colada ao pé esquerdo, surgiu para herdar essa tradição. Sávio Bortolini Pimentel, ou simplesmente Sávio, não era apenas mais um jogador. O "Anjo Loiro da Gávea" ou "O Ensaboado", como foi carinhosamente apelidado, foi um dos talentos mais puros e empolgantes revelados pelo Ninho, um craque que, mesmo em tempos turbulentos, trouxe brilho e magia para o Maracanã.

O Berço Rubro-Negro: A Joia Dribladora da Gávea

Sávio foi mais um fruto da espetacular safra de talentos do Flamengo no início dos anos 90. com nomes como os  de Djalminha, Marcelinho Carioca e Paulo Nunes, de outra geração, ele se destacava por uma característica principal: o drible. Era um ponta-esquerda clássico, velocista, mas sua maior arma era a finta curta, o drible imprevisível que deixava os marcadores desnorteados. Sua canhota era calibrada, capaz de cruzamentos precisos e chutes venenosos. Rapidamente, a Nação se apaixonou por aquele garoto franzino que jogava com a ousadia dos grandes craques.

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O "Ataque dos Sonhos": Um momento de pesadelo para nossa torcida

O auge midiático de Sávio na Gávea veio em 1995, ano do centenário do Malvadão. Naquele ano, o Flamengo montou o megalomaníaco "Ataque dos Sonhos", trazendo Romário (o melhor do mundo) e Edmundo para jogar ao seu lado. A expectativa era de um massacre, de uma era de domínio absoluto.

No entanto, o trio de craques, apesar do imenso talento individual, não conseguiu traduzir o hype em grandes títulos naquele ano. Mas Sávio, mesmo dividindo os holofotes com dois gênios consagrados, brilhou intensamente. Foi, muitas vezes, o jogador mais lúcido e regular daquele ataque, mostrando que seu talento não era ofuscado nem mesmo pelas maiores estrelas. Sua recompensa coletiva viria no ano seguinte, sendo peça fundamental na conquista do Campeonato Carioca invicto de 1996.

O Voo para a Realeza: Ídolo no Real Madrid

O talento de Sávio, como era de se esperar, chamou a atenção fora do Brasil. Em 1997, ele deu o passo que o consagraria mundialmente: transferiu-se para o Real Madrid. Na Espanha, o Anjo Loiro viveu o auge de sua carreira. Foi titular absoluto de um dos maiores clubes do mundo, conquistando impressionantes três títulos da UEFA Champions League (1998, 2000 e 2002) e um Mundial Interclubes, jogando ao lado de lendas como Raúl, Roberto Carlos e Figo. Sua passagem pelo Real Madrid o colocou definitivamente no panteão dos grandes jogadores brasileiros que brilharam na Europa.

O Legado do Anjo da Gávea

Após deixar o Real Madrid, Sávio teve uma longa carreira internacional, com passagens por outros clubes importantes. Sua história com o Flamengo, no entanto, é a do berço, da origem. Ele é lembrado como um dos maiores dribladores que já vestiram o Manto Sagrado, um talento puro que, mesmo em um período de menos glórias coletivas para o clube, encantou a Nação com sua arte. O Anjo Loiro voou alto pelo mundo, mas suas raízes e seu lugar no coração da torcida sempre estarão na Gávea.

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