A camisa 10 do Flamengo é pesada. Ela carrega a mística de Zico e a exigência de 40 milhões de pessoas, Nossa Nação é Gigante. Lucas Paquetá não apenas vestiu essa camisa; ele a honrou no momento mais difícil possível.
Vivemos numa era onde a base serve ao mercado. É uma realidade dura: nossos craques saem cedo para gerar lucro. Mas a história de Paquetá é diferente. Ele não foi apenas vendido; ele foi o "sacrifício" necessário para que o Flamengo mudasse de patamar. Ele foi a ponte entre a era da "reconstrução" (pagar dívidas) e a era da "soberania" (ganhar títulos).
Neste artigo, analisamos como o talento de Paquetá em campo e sua venda para a Europa foram as duas últimas peças que faltavam para montar o supertime de 2019.
Do Título da Copinha à Explosão em 2018
A ascensão de Paquetá não foi meteórica como a de Vinícius Jr., foi uma construção sólida. Campeão da Copinha em 2016, ele subiu ao profissional precisando provar que não era apenas mais uma promessa.
Análise Tática: O que separou Paquetá dos outros garotos foi sua versatilidade moderna. Ele não tinha medo de trabalho sujo. Jogou de meia clássico, de "falso 9" quando Guerrero estava suspenso e até de segundo volante. Ele tinha a técnica do camisa 10, mas a entrega do camisa 5.
Em 2018, com a venda de Vini Jr. para o Real Madrid, Paquetá assumiu o protagonismo solitário. Ele "carregou o piano". Foi o melhor meia do Brasileirão num time que oscilava, chamando a responsabilidade quando os veteranos se escondiam.
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Há uma memória afetiva que o torcedor guarda com carinho: a era "Paquetop". A amizade entre Paquetá e Vinícius Jr. transcendia o campo.
Num período onde o Flamengo batia na trave nos campeonatos, as dancinhas e a irreverência dos dois "Crias do Ninho" eram o único alento da torcida. Eles representavam a pureza do futebol carioca: moleques, amigos e talentosos. Paquetá, muitas vezes criticado por "individualismo" ou por segurar demais a bola, na verdade estava tentando compensar um coletivo que ainda não funcionava. Ele tentava resolver sozinho porque sabia que era o único capaz disso.
O Legado de 35 Milhões de Euros
Pode parecer frio dizer isso, mas o maior título de Paquetá pelo Flamengo foi a sua venda. A transferência para o Milan, no final de 2018, rendeu cerca de 35 milhões de euros.
A Matemática do Sucesso: Foi esse dinheiro (somado ao de Vini Jr.) que permitiu ao Flamengo ir ao mercado em 2019 e comprar Gabigol, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gerson. Vini e Paquetá são os "fiadores" da Era de Ouro. Eles foram vendidos para que o Flamengo parasse de vender promessas e começasse a comprar realidades. Sem a venda de Paquetá, talvez não existisse a glória de Lima.
Conclusão: O 10 que o Mundo Aprendeu a Respeitar
Hoje, vendo Paquetá brilhar na Premier League e ser titular absoluto da Seleção Brasileira, o sentimento é de dever cumprido. Ele amadureceu, provou seu valor na liga mais difícil do mundo e calou os críticos.
Para a Nação, ele sempre será o menino que dançava funk após o gol, que amava o clube e que, com sua saída, deixou o cheque assinado para construirmos o maior time do século XXI.
E você, acha que Paquetá teria lugar no time titular do Flamengo de hoje? Deixe sua opinião nos comentários!