Tem história no Flamengo que parece roteiro de filme de aventura, e a do Modesto Bria é a campeã delas. Sabe aquele gringo que chega quieto e, quando você vê, já manda na casa toda? Foi ele.
Muita gente lembra do Bria como o "descobridor do Zico", o que já garantiria a ele um lugar no céu dos rubro-negros. Mas a passagem de Modesto Bria no Flamengo vai muito além. Ele foi um monstro em campo na década de 40 e, fora dele, teve um olho clínico que moldou as gerações vitoriosas que vieram depois.
Vamos voltar no tempo para entender como esse paraguaio casca-grossa virou um dos maiores ídolos da Gávea.
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1. O "Sequestro" Aéreo do Ary Barroso
O ano era 1943. O Flamengo precisava de um volante (na época chamava "centromédio") que mordesse no meio-campo. O lendário compositor Ary Barroso, que era rubro-negro doente, ouviu falar de um tal de Bria que jogava muito no Paraguai.
O que o Ary fez? Pegou um teco-teco (sim, um aviãozinho monomotor) e foi até Assunção. Chegando lá, meio que "sequestrou" o Bria. Botou o jogador no avião e trouxe para o Rio de Janeiro numa viagem perigosa, cheia de escalas.
O Bria contava que morreu de medo do avião cair, mas quando pousou e viu o Rio de Janeiro, se apaixonou. Ali começava um casamento que duraria a vida toda.
2. O "Cachito" e o Primeiro Tricampeonato
Em campo, o Bria não era de brincadeira. Ele formou a famosa linha média "Biguá, Bria e Jaime". O cara era incansável. Tinha aquela raça paraguaia, não perdia dividida e corria por três. A torcida, que adora jogador que dá o sangue, abraçou ele na hora.
Ele foi peça fundamental no Primeiro Tricampeonato Carioca (1942-43-44). Enquanto o Zizinho (o mestre Ziza) destruía lá na frente com a bola no pé, o Bria garantia que ninguém passasse lá atrás. Foram mais de 300 jogos honrando o Manto, sempre com seriedade e entrega.
3. O Olho de Lince: Zico, Junior e Mozer
Agora, o capítulo que muda tudo. Depois de pendurar as chuteiras, o Bria virou técnico da base e do profissional em várias ocasiões. E é aqui que a mágica acontece.
Em 1967, o radialista Celso Garcia levou um menino magricelo, franzino, chamado Arthur para treinar na Gávea. Muita gente olhou torto, achando que o garoto não aguentaria o tranco. O Bria olhou, viu o menino tocar na bola e falou: "Esse fica". Ele bancou o Zico quando o físico do Galinho ainda era uma dúvida.
Não satisfeito, o Bria também teve dedo na carreira de outros dois gigantes:
Junior: Viu o "Capacete" jogando futebol de areia e trouxe para o campo.
Mozer: O Mozer chegou no clube querendo ser atacante. O Bria olhou e disse: "Com esse tamanho e essa força, você vai ser zagueiro". O resto é história.
Conclusão: Mais Rubro-Negro que Muito Carioca
Modesto Bria faleceu em 1996, mas o legado dele tá aí, vivo em cada taça que levantamos nas décadas de 80 e 2019.
Pensa comigo: sem o Bria, talvez não tivéssemos o Zico. Sem o Bria, talvez não tivéssemos o Junior. Sem ele, a história do Flamengo seria completamente diferente.
Ele foi o paraguaio mais carioca que já existiu. Um cara que veio voando baixo num teco-teco para colocar o Flamengo nas alturas. Respeito máximo ao nosso eterno "Cachito"!