Hoje em dia, a gente vê muito volante que só sabe dar pontapé e entregar a bola de lado, né? Mas na década de 50, o Flamengo tinha um cara que era o oposto disso. José Mendonça dos Santos, o nosso eterno Dequinha, era aquele tipo de jogador que parecia entrar em campo de terno e gravata, tamanha a classe.
A passagem de Dequinha no Flamengo não é só história antiga; é a base de uma das fases mais vitoriosas do clube. Ele chegou do Rio Grande do Norte para dominar o meio-campo e provou que dava para marcar forte sem perder a elegância. Ele não era um "cão de guarda"; ele era o dono do meio-campo mesmo.
Vamos resenhar sobre esse monstro sagrado que carregou o piano (e tocou violino) no segundo tricampeonato da nossa história.
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1. O Dono do Time: Era "Dequinha e Mais Dez"
Sabe quando um jogador é tão importante que o time não funciona sem ele? Pois é. Naquela época, a imprensa e a torcida não tinham dúvida: o Flamengo era "Dequinha e mais dez".
E não era exagero de torcedor, não. O Dequinha tinha uma regularidade absurda. Ele estava em todo lugar do campo. A diferença é que ele roubava a bola na boa, sem carrinho maldoso, só na leitura de jogo e no tempo de bola. E quando recuperava? Cabeça erguida, passe na medida. Nada de chutão.
Se ele jogasse hoje, com essa qualidade de saída de bola e desarme, ia valer o PIB de um país pequeno. Ele foi a inspiração para muita gente boa que veio depois, mostrando que volante também pode (e deve) saber jogar bola.
2. O "Homem de Ferro" do Tri (53-54-55)
Agora, presta atenção nesse dado aqui, porque é difícil de acreditar. O Flamengo foi Tricampeão Carioca em 1953, 1954 e 1955. Ganhar três vezes seguidas já é para poucos. Agora, imagina jogar todas as partidas das três campanhas?
Foi isso que o Dequinha fez. Foram 84 jogos seguidos naquela jornada vitoriosa. Não teve gripe, tornozelo torcido ou suspensão que tirasse o homem de campo. Ele era uma rocha. A história de Dequinha no Flamengo é feita dessa resistência impressionante.
Como capitão nos dois últimos títulos, era ele quem levantava o caneco e botava ordem na casa. Sabe aquele capitão que não precisa gritar para ser respeitado? Era ele. Só no olhar o time já entendia.
3. Imortalizado no Samba (e na Boca do Povo)
Você sabe que o jogador virou lenda quando ele vai parar na música popular. O Dequinha é citado no famoso "Samba Rubro-Negro", de Wilson Batista. Quem nunca cantou isso aqui no Maraca?
"O mais querido / Tem Rubens, Dequinha e Pavão / Eu já rezei para São Jorge / Pro Mengo ser campeão"
Isso mostra que ele não era só um atleta do clube; ele já fazia parte da cultura do Rio de Janeiro. O torcedor confiava tanto nele que botava o nome do cara na oração para São Jorge.
4. O Professor do Carlinhos "Violino"
Craque que é craque deixa herdeiro. E o Dequinha foi o professor de outro gigante: o Carlinhos. O garoto olhava o Dequinha jogar e tentava copiar aquele estilo clássico, de cabeça em pé. Deu tão certo que o Carlinhos ganhou o apelido de "Violino" e assumiu a posição quando o mestre saiu em 1960.
Basicamente, o Dequinha garantiu que o meio-campo do Flamengo continuasse bem servido de elegância por mais uma geração.
Um Monstro que Jogava de Terno
Dequinha nos deixou em 1997, mas a moral dele com a Nação é eterna. Ele mostrou que raça não precisa ser feia. Dá para dar o sangue pelo time jogando bonito, com a bola no chão.
Para a galera mais nova, que pira nos desarmes do João Gomes ou na classe do Gerson, vale a pena saber: lá atrás, o Dequinha já fazia tudo isso. Ele foi o capitão cavalheiro, o pulmão de aço e a prova de que, no Flamengo, jogar bola é coisa séria (mas com classe, por favor).