O "Made in Brazil" de Bap: A Ousadia do Flamengo em Buscar Reforços nos Rivais e a Dúvida que Fica no Ar

 Por Nilson Eugenio

Esqueça o monitoramento de voos vindos de Lisboa ou Roma. A gestão de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, inaugurou uma nova era no Flamengo em 2025/2026: a de olhar para o lado, e não para o além-mar.

A diretriz atual é clara e foi verbalizada pelo próprio mandatário: "O momento é de buscar os grandes jogadores que já estão performando no Brasil". Essa mudança de bússola não é apenas técnica, é uma demonstração de força política e financeira. O Flamengo decidiu que não precisa mais esperar a "xepa" da Europa; ele pode ir ao shopping de luxo do futebol brasileiro e escolher as melhores peças da vitrine.


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A Tríade da Ousadia: Vitão, Kaio Jorge e Marcos Antônio

O primeiro grande símbolo dessa nova mentalidade foi a contratação de Vitão. Tirar um dos zagueiros mais regulares do país de um rival direto não foi apenas um reforço técnico, foi um recado ao mercado: o Flamengo tem caixa e atratividade para seduzir quem já está estabilizado em grandes clubes da Série A.

Mas a ambição não parou na defesa. A investida pesada por Kaio Jorge mostrou que o clube estava disposto a pagar o preço de ouro por um atacante adaptado e decisivo, sem o risco de "tempo de adaptação". E agora, a novela envolvendo Marcos Antônio, do São Paulo, reforça a tese. O Flamengo quer o volante que dita o ritmo no Morumbi para fazer o mesmo no Maracanã.

A lógica é pragmática: por que apostar em uma promessa de 19 anos do Equador ou um veterano em declínio na Espanha, se você pode contratar certezas que jogam contra você todo domingo?

Enfraquecer para Dominar?

Essa estratégia remete aos tempos áureos de hegemonias europeias, como o Bayern de Munique na Alemanha. Ao contratar os destaques internos, o Flamengo atinge dois objetivos com um único cheque:

  1. Qualifica o próprio elenco com atletas prontos, que conhecem os gramados, a arbitragem e o calendário do país.

  2. Enfraquece os concorrentes diretos ao título, retirando suas referências técnicas.

É uma tática "predatória" no bom sentido esportivo, que maximiza as chances de títulos nacionais ao desnivelar a competição a seu favor.

A Pergunta de Um Milhão de Dólares: Até Quando?

No entanto, essa estratégia traz uma interrogação que precisa ser debatida: qual é o prazo de validade desse modelo?

O mercado interno brasileiro é inflacionado. Tirar um titular do São Paulo ou do Internacional custa, muitas vezes, mais caro do que trazer um jogador médio da Europa. Os clubes brasileiros não querem vender para o Flamengo e cobram a "taxa rival".

Até quando o caixa rubro-negro sustentará pagar prêmios altíssimos para convencer clubes brasileiros a liberar seus astros? E mais: chegará o momento em que o "poço secará"? Os talentos de nível "Seleção" que atuam no Brasil são finitos.

Pode ser que, em 2027, o Flamengo precise voltar seus olhos para fora, seja para a América do Sul ou para a Europa, simplesmente por falta de opções viáveis internamente. Mas, por enquanto, a ordem de Bap é clara: o melhor do Brasil deve jogar no Flamengo. E enquanto essa estratégia durar, os rivais que se cuidem.

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